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maio 31, 2003

POESIA DA RESISTÊNCIA - Romance do Homem da Boca Fechada

Jaime Cortesão - Romance do Homem da Boca Fechada


- Quem é esse homem sombrio
Duro rosto, claro olhar,
Que cerra os dentes e a boca
Como quem não quer falar?
- Esse é o Jaime Rebelo,
Pescador, homem do mar,
Se quisesse abrir a boca,
Tinha muito que contar.

Ora ouvireis, camaradas,
Uma história de pasmar.

Passava já de ano e dia
E outro vinha de passar,
E o Rebelo não cansava
De dar guerra ao Salazar.
De dia tinha o mar alto,
De noite, luta bravia,
Pois só ama a Liberdade,
Quem dá guerra à tirania.
Passava já de ano e dia...
Mas um dia, por traição,
Caiu nas mãos dos esbirros
E foi levado à prisão.

Algemas de aço nos pulsos,
Vá de insultos ao entrar,
Palavra puxa palavra,
Começaram de falar
- Quanto sabes, seja a bem,
Seja a mal, hás de contá-lo,
- Não sou traidor, nem perjuro;
Sou homem de fé: não falo!
- Fala: ou terás o degredo,
Ou morte a fio de espada.
- Mais vale morrer com honra,
Do que vida deshonrada!

- A ver se falas ou não,
Quando posto na tortura.
- Que importam duros tormentos,
Quando a vontade é mais dura?!

Geme o peso atado ao potro
Já tinha o corpo a sangrar,
Já tinha os membros torcidos
E os tormentos a apertar,
Então o Jaime Rebelo,
Louco de dor, a arquejar,
Juntou as últimas forças
Para não ter que falar.
- Antes que fale emudeça! -
Pôs-se a gritar com voz rouca,
E, cerce, duma dentada,
Cortou a língua na boca.

A turba vil dos esbirros
Ficou na frente, assombrada,
Já da boca não saia
Mais que espuma ensanguentada!

Salazar, cuidas que o Povo
Te suporta, quando cala?
Ninguém te condena mais
Que aquela boca sem fala!

Fantasma da sua dor,
Ainda hoje custa a vê-lo;
A angústia daquelas horas
Não deixa o Jaime Rebelo.
Pescador que se fez homem
Ao vento livre do Mar,
Traz sempre aquela visão
Na sombra dura do olhar,
Sempre de boca apertada,
Como quem não quer falar.

Este poema de Jaime Cortesão circulou clandestinamente nos anos trinta e foi publicado no Avante em 1937 . A publicação de um poema de um republicano sobre um anarquista no jornal comunista inseria-se nos esforços de Francisco Paula de Oliveira /"Pavel" para reforçar uma política de frente popular em Portugal . Sobre Jaime Rebelo veja-se a sua necrologia em Voz Anarquista 1 , 22/1/1975 e César Oliveira , "Jaime Rebelo : Um Homem Para Além do Tempo " , História , 6 , Março 1995

Publicado por José Pacheco Pereira em maio 31, 2003 03:27 PM
Comentários

ando à procura de poesia de Resistência de Jaime Cortesão, pois quando era menina, dizia aqui em Paris, um poema que com os anos fui esquecendo(lembro apenas passagens) e que se chama Maldição
se por acaso o têm nos vosso arquivos ficaria muito reconhecida se mo pudessem enviar
um ebraço amistoso em poesia
Marilia Gonçalves

Afixado por: Mariia Gonçalves em março 3, 2004 02:03 PM

Guitarra que te tocava
cigarra fantoche grilo
enrolado sobre as formas
de teu irreal tranquilo
génio além de quanto som
de quanta alada visão
era o único! o teu tom
que elevava o coração
agora a tua guitarra
vai procurar tuas mãos
que nunca mais a agarram
ficamos orfãos! irmãos!

Marília


Lembro-me de ti Carlos Paredes, numa noite de música no Teatro Lethes de Faro, em 1977. Era verão, e estavam presentes mais dois vultos da Cultura Portuguesa, o José Gomes Ferreira, esse vulto de anc~~ao inesquecivel, de cabeleira branca, como se a lua o tivesse coroado, com seu ar humano e bom, e o Adriano, o nosso inesquecível e terno Adriano! de vocês três já nenhum volta a animar nenhum sarau, nenhuma noite de Cultura, de música, de poesia. Queria dizer-te tudo o que me vai por dentro neste momento em que nos deixaste! e o que me vai por dentro não se traduz em palavras, soam lágrimas que caem no silêncio duma solidão infinita!
Ai meu amigo, que quando morre um Artista, como tu, como eles, a nossa pobreza cresce tanto, que mesmo o grito que nos sobrevoa o rasgão aberto para sempre, não tem força para dizer o que é
Sinto-me vazia! vazia e esmagada por dentro! Porque morreste e porque não tiveste a vida que os que te amavam, os que se desalteravam com tua música, teriam querido para ti! mas sabes? claro que sabes! Nós meu querido amigo, somos, uns, fazedores de versos, outros, inventores de música e de mãos que a desferem, mas em nossas mãos onde brota Arte, não cresce nunca a vileza do ouro e do dinheiro. Por isso nossa vontade solidária, embora grande, nesse campo é tão fraca! é que nunca podemos dar a um amigo nada mais que o nosso coração!que o nosso apreço! e embora isso seja importante,e indispensável, não sustenta um homem, uma mulher, uma família!
entregaste tuas mãos onde poisava a magia da música, a tarefas que te traziam o direito indispensável de sobreviver! e assim foste vivendo, mas sempre com esse manacial de sons que desaguavam na tua guitarra, a dar a cor aos teus dias e aos nossos!
poetas, músicos pintores, escultores, artistas, a colorir e a perfumar a vida; numa época gelando, a trazer no criativo invento, o calor que falta à humana necessidade de acreditar.
Por todos os que estão, que permanecem contra ventos e marés, que sobrevivem numa Arte que traz nela os alicerces da vida, não vamos mais calar nossa crença: a Arte tem um papel fundamental, na transformação das mentalidades, na transformação da sociedade, porque tem que semear pelo mudo, a certeza de que o ser humano, traz nele a solução de todos os seus problemas. Morreu Carlos Paredes, e aqueles que o ignoraram, que lhe negaram o direito de ser aquilo que realmente era, um músico com o direito de viver de sua música, vão até começar, seu cortejo de fúnebres lamentações! não nos deixemos enganar!
Carlos Paredes, se tivesse podido viver de sua música talvez ainda hoje estivesse vivo.
Pelo direito a viver, pelo direito ser o músico que foi, (sempre estes verbos no passado a que me não faço!!) desgastou-se muito mais que o necessário!
e agora? Agora nosso pranto, nossa dor, não o trazem à vida. Vamos continuar a escutar-lhe a Guitarra, a saborear-lhe os sons como se nada fosse conosco? qual o futuro Paredes, qual o futuro abandonado?
Para que tudo mude não nos calemos nunca mai!. pela sua grata e generosa memória e por quantos Paredes nos venham a nascer e a morrer em Portugal! Para que tudo mude, não silenciemos nunca, denunciando toda e qualquer forma de hipocrisia!
Honra à sua grata memória
Viva a Arte
Viva Portugal !


Portugal mais uma vez de luto!!!!
Faleceu Carlos Paredes
a Guitarra portuguesa chora as mãos que a desferaim com o génio que Carlos Paredes tinha
Agora, que se lhe façam homenagens! mas nunca nada pode apagar a ofensa dos que governam Portugal ignorando quase, o Génio ao abandono! Quando governos de nosso Portugal vão olhar seus artistas com o respeito que merecem? Quando sua dignidade vai começar a ser honrada e enaltecida? é preciso que venha a morte? Que palavras encontrar num momento destes, quando ficamos tão mais pobres na nossa Cultura! eu não tenho mais palavras! agora deixo lugar às minhas lágrimas de poeta, de ser humano e de cidadã cada vez mais pobre! Adeus Amigo! até à curva do caminho onde quem sabe nos espera a tua Guitarra, as tuas mão de música e nossos poemas! até sempre companheiro! Até à Música e à Poesia
Marília Gonçalves

Viva a Arte, Portugal mais uma vez de luto!

Faleceu Carlos Paredes
a Guitarra portuguesa chora as mãos que a desferaim com o génio que Carlos Paredes tinha em si!
Agora, que se lhe façam homenagens! mas nunca nada pode apagar a ofensa dos que governam Portugal ignorando quase, o Génio ao abandono! Quando governos de nosso Portugal vão olhar seus artistas com o respeito que merecem? Quando sua dignidade vai começar a ser honrada e enaltecida? é preciso que venha a morte? Que palavras encontrar num momento destes, quando ficamos tão mais pobres na nossa Cultura! eu não tenho mais palavras! agora deixo lugar às minhas lágrimas de poeta, de ser humano e de cidadã cada vez mais pobre! Adeus Amigo! até à curva do caminho onde quem sabe nos espera a tua Guitarra, as tuas mão de música e nossos poemas! até sempre companheiro! Até à Música e à Poesia
Marília Gonçalves







Afixado por: Marilia Gonçalves em julho 24, 2004 07:14 AM