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Índice
Editorial
Arquivos, Bibliotecas, Fundos: 10 textos
Bibliografia: 86 textos
Biografias / Vidas: 138 textos
Colóquios , conferências, debates: 15 textos
Estudos: 6 textos
Estudos locais: 2 textos
Extrema-esquerda - História: 10 textos
Fontes: 7 textos
Iconografia: 12 textos
Movimento comunista internacional: 11 textos
Notas: 5 textos
Notas de investigação: 1 textos
Organizações - PCP: 3 textos
Recensões críticas: 3 textos
Repressão: 7 textos
Revista Estudos sobre o Comunismo: 3 textos
Vários: 17 textos
dezembro 2005
novembro 2005
outubro 2005
setembro 2005
agosto 2005
julho 2005
junho 2005
maio 2005
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março 2005
fevereiro 2005
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março 2004
fevereiro 2004
janeiro 2004
dezembro 2003
novembro 2003
outubro 2003
setembro 2003
agosto 2003
julho 2003
junho 2003
maio 2003
janeiro 2003
*
* COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DE FERNANDO LOPES-GRAÇA
* NOTÍCIAS E MATERIAIS ASSOCIADOS AO CENTENÁRIO DE RUY LUÍS GOMES
* ACTIVIDADES DA OPOSIÇÃO DURANTE A CAMPANHA ELEITORAL DE NOVEMBRO 1957
* ÁLVARO CUNHAL - BIOGRAFIA POLÍTICA
* CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE RUY LUIS GOMES
* SELO COMEMORATIVO DE ÁLVARO CUNHAL
*
III VOLUME SOBRE OS ANOS DA PRISÃO (1949-1960)
* SÉRIE TELEVISIVA ATÉ AMANHÃ CAMARADAS EM DVD
* Annals of Communism
* Archivo Guerra y Exilio
* Arquivo Edgard Leuenroth
* Arquivo Nacional da Torre de Tombo
* Asociación de Amigos de las Brigadas Internacionales
* Asociación para el Estudio de los Exilios y Migraciones Ibéricos Contemporáneos
* Biblioteca Victor Serge (Moscovo)
* Bibliothèque de documentation internationale contemporaine (BDIC)
* British Library
* CEIP León Trotsky
* Centre des Archives Communistes en Belgique
* Center for the Study of Political Graphics
* Centre d’Estudis sobre les Èpoques Franquista i Democràtica
* CENTRE D'ETUDES ET DE RECHERCHES SUR LES MIGRATIONS IBERIQUES
* Centre d'Etudes et de Recherches sur les Mouvements Trotskyste et Révolutionnaires Internationaux
* Centre d'Histoire et de Sociologie des Gauches
* Centre International de Recherches sur l'Anarchisme (CIRA)
* Centro de Documentação 25 de Abril
* Centro de Documentación e Investigación de la Cultura de Izquierdas en Argentina
* Centro de Estudios y Documentación de las Brigadas Internacionales
* Chapters in the History of Communist and Socialism
* Cold War International History Project
* Collectif des centres de documentation en histoire ouvrière et sociale
* Commonwealth and Latin American Archives Project - Political Archives
* Communist Chronicles
* Communist History Network
* Conservatoire des mémoires étudiantes et universitaires (CME)
* Contemporary Portuguese Political History
* Correntes Artísticas e Movimentos Intelectuais
* Dictionary of Labour Biography
* Documents on American Radicalism
* Ephemera Society of America
* Estudios sobre la historia del movimiento comunista en España
* Fondación Andreu Nin
* Fondation Gabriel Péri
* Fondation Pierre Besnard
* Fondazioni Istituto Gramsci
* Friedrich-Ebert-Stiftung
* Fundação Astrojildo Pereira
* Fundação Mário Soares
* Fundación de Investigaciones Marxistas
* Fundación Salvador Segui
* Gosudarstvennaia Obshchestvenno-Politicheskaia Biblioteka
* Gramsci e o Brasil
* Guerra Civil Espanhola
* GUIA DA HISTÓRIA DAS ESQUERDAS BRASILEIRAS
* História e Ciência
* Historian’s of American Communism
* History Journals Guide
* Hoover Institution
* Institut d'histoire du temps présent
* Internacional Situacionista - Arquivos
* International Association of Labour History Institutions
* International Institute of Social History
* International Newsletter of Communist Studies
* Jahrbuch für Historische Kommunismusforschung
* Kate Sharpley Library
* Library of Congress
* London School of Economics - Biblioteca
* Maitron
* Marx Memorial Library
* Marxists Internet Archive
* National Archives and Records Administration (NARA)
* L'OFFICE UNIVERSITAIRE DE RECHERCHE SOCIALISTE (L'OURS)
* Parallel History Project on NATO and the Warsaw Pact
* PC da África do Sul
* PC do Japão
* People's History Museum
* PORBASE - Pesquisa bibliográfica
* Popular Movements Internet Resources
* Public Record Office
* Red de Archivos Historicos de Comisiones Obreras
* Society for the Study of Labour History
* Socio[B]logue
* Stalin-Era Research and Archives Project
* TrotskyanaNet
* Twentieth Century Latin American Pamphlets
* University of California- Berkeley – Biblioteca
* Vidas Lusófonas
* WorkLab - International Association of Labour Museums
* Working Class Movement Library
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outubro 31, 2003
João Tunes - JACQUES, O FRANCÊS
Secção: Biografias / Vidas , Movimento comunista internacional , Recensões críticasJacques Rossi é uma personagem real e peculiar. Franco-polaco, filho de pais franceses, nascido em França em 1909, foi levado de tenra idade para a Polónia onde viveu com a mãe e um padrasto polaco que o perfilhou e foi educado numa casa senhorial pois o padrasto era um aristocrata latifundiário. Estudante universitário, aos 17 anos aderiu ao Partido Comunista Polaco, então na clandestinidade, acabando por ser preso pela polícia do ditador Pilsudski.
Jacques consegue fugir para a Checoslováquia e inicia uma carreira de militante comunista internacionalista. É recrutado para trabalhar nos serviços de informação do Komintern e inicia uma carreira que iria durar 10 anos de agente secreto com a tarefa de servir de correio de mensagens secretas em todo o mundo, sempre sob falsas identidades. Enquanto agente secreto, Jacques obtém vários diplomas universitários com identidades que lhe são alheias (em belas artes e civilizações orientais), torna-se poliglota (domina francês, inglês, alemão, polaco, russo, espanhol, italiano, persa e outras línguas orientais) e desempenha múltiplos papéis de disfarce. Em dado momento, apercebe-se que foi transferido (sem disso ter sido formalmente informado) dos serviços de informação do Komintern para o GRU (serviços secretos do Exército Vermelho) mas isso em nada o afecta pois a causa era a mesma.
Em 1937, em plena guerra civil espanhola, é enviado para a zona franquista (Valladolid) onde, sob o disfarce de diplomata nicaraguense, obtém informações sobre as actividades franquistas que a sua camarada Julita (de quem desconhece a identidade mas supõe tratar-se de uma austríaca devido ao sotaque com que fala o alemão) e sua esposa segundo o disfarce, transmite por rádio para os serviços secretos soviéticos instalados no lado republicano.
Num certo dia do final de 1937, chega uma mensagem rádio da Central ordenando a apresentação imediata de Jacques em Moscovo para desempenho de nova tarefa. ¿Julita¿ tenta dissuadir Jacques de viajar para Moscovo (em 1936 havia começado a Grande Purga) mas este, disciplinado militante revolucionário, cumpre a ordem e segue de imediato para a Capital do Comunismo.
Chegado a Moscovo, pleno das energias próprias dos 28 anos de idade, Jacques apresenta-se no seu serviço disposto a cumprir nova missão e novas odisseias clandestinas. Estranha o tratamento frio dos camaradas que o atendem e mais ainda o facto de lhe dizerem que o seu chefe (um comunista polaco chamado Kraietski) já não estava ao serviço (saberia mais tarde que havia sido preso e fuzilado).
Decorrem os dias e as semanas, vão-lhe indicando vários sítios para habitar e continua sem resposta quanto ao seu destino. Um dia, é finalmente recebido pelo substituto de Kraietski que acusa o seu antecessor de ser um traidor e um espião e indica a Jacques que deve acompanhar um tal camarada Ivan que o levará para o local de treino da sua nova missão. A viagem de automóvel com o camarada Ivan termina dentro da prisão de Loubianka de onde transitará para a prisão de Boutirka. Jacques espera calmamente saber de que é acusado para, como julga inevitável, desfazer o mal entendido. Para ele, o pior é então ter de partilhar as celas a abarrotar com tantos inimigos do povo.
Ao fim de nove meses de prisão, Jacques é finalmente levado à presença de um comissário-interrogador (esta figura estava integrada na estrutura policial e não de qualquer elo do aparelho judiciário). O comissário começa por propor a Jacques que indique qual o crime que cometeu. Este diz que não cometeu qualquer crime. O comissário indica-lhe que ele é acusado de ser um espião franco-polaco e tudo tem a ganhar em confessar as suas actividades de espionagem. Jacques reitera a sua inocência e segue-se um calvário de várias semanas em que apelos à confissão são entremeados com sessões de tortura de estátua e de sono (algumas durando uma semana) e de espancamentos.
Em 7 de Abril de 1939 (dezasseis meses após o início da sua prisão preventiva), Jacques é informado que tinha sido condenado pela OSSO (órgão não judiciário e pertencente à Segurança do Estado) - sem que estivesse presente durante a sessão de julgamento - a oito anos de trabalhos forçados no Gulag.
Jacques inicia a via sacra do internamento para trabalho de reeducação em vários campos de concentração na Sibéria e acima do Círculo Polar Ártico onde vai executando diversos trabalhos penosos sob miseráveis condições de alojamento e de alimentação e em condições climatéricas terríveis.
No final de 1945, chegou ao fim a pena que lhe havia sido aplicada pela OSSO. É-lhe então aplicada a circular nº 224 que permite o prolongamento de encarceramento até disposição especial.
Em 1947, é solto do campo de Norilsk mas obrigado a viver nesta cidade e apresentar-se regularmente nas instalações policiais. Jacques contacta várias Embaixadas a fim de obter visto que lhe permita sair da União Soviética. As suas cartas para as Embaixadas são interceptadas pela polícia, é preso de novo e condenado a mais vinte e cinco anos de trabalhos no Gulag.
Feitas as contas, Jacques deveria ser libertado apenas em 1972. Ou seja, preso aos 28 anos, Jacques voltaria à liberdade apenas quando contasse com 63 anos de idade!
Mas, em 1956 e na sequência do XX Congresso do PCUS, com 48 anos de idade, Jacques é libertado e é-lhe passado um certificado onde consta a sua reabilitação e isento de ter cometido qualquer crime ou falta para com a União Soviética. Para trás, ficavam 20 anos de reclusão por uma falsa acusação. E pela frente? A liberdade? Mais devagar, apesar do XX Congresso¿ Onde viver? No estrangeiro, nem pensar. Negativo. Nas principais cidades soviéticas, isso é que era bom. Negativo. Acabou por lhe ser fixada residência em Samarkand no extremo oriental da União Soviética!
Jacques não desiste de ir para o estrangeiro. Goradas todas as tentativas para lhe ser autorizado o regresso à sua Pátria (França), Jacques explora a hipótese de obter visto para voltar à Polónia de que fugira das prisões de Pilsudski com 18 anos de idade, agora uma democracia popular sob controlo soviético.
Em 1961, com 52 anos de idade, Jacques consegue sair da União Soviética e ir para a Polónia (onde foi reintegrado no Partido Comunista e nomeado membro do seu Comité Central) . Aí vive até 1985, ano em que se fixa em França e readquire a nacionalidade francesa. Até 2002, ano em que perfez a idade de 93 anos e a saúde lhe permitiu, Jacques dedicou-se a escrever as suas memórias e vários depoimentos e relatos, além de correr o mundo a dar conferências a relatar a sua experiência gulagiana.
Nas suas memórias e crónicas, Jacques faz relatos vivos e impressivos sobre a tragédia que representou a monstruosidade do Gulag e que destruiu a vida de milhões de seres humanos. E, no Gulag, pereceram (uns fisicamente, outros ficaram para sempre afectados pelo sofrimento psíquico devido a longos e duros anos de cativeiro) homens e mulheres pela simples razão de pertencerem à classe errada (a classe social que o sistema bolchevique queria destruir), a nacionalidades e etnias suspeitas de infidelidade ao sistema soviética. Ou, então, serem fiéis militantes comunistas apanhados na contabilidade das quotas dos inimigos internos a abater (na sua maior parte, bolcheviques da primeira hora e companheiros de Lenine), bem como os que tinham a má sina de serem casadas com ¿inimigos do povo¿ ou seus filhos, aqueles que tinham dificuldades na integração na disciplina e estrutura de funcionamento totalitário do sistema até aos muitos milhares de vítimas naives que eram encarceradas por razões pueris ou derivadas da estupidez burocrática de polícias todos poderosos e que tentava fazer do aumento do número de prisioneiros a demonstração da sua fé comunista e evitar que lhes calhasse a vez de serem fuzilados ou penarem no Gulag. Jacques, através dos seus relatos, dá-nos conta da monstruosidade do seu sofrimento mas traz também para a boca de cena outros (muitos) prisioneiros que foi encontrando e as suas histórias cruéis.
Para quem pertence a uma geração politizada no escalpe do horror do Holocausto e da máquina nazi de destruição e em que o Nazi-Fascismo incarnou o Mal Absoluto (papel agora transferido para a Globalização e para a América Imperial) e que gerou o paradigma do Antifascismo (e do Anti-imperialismo), segundo o qual denunciar os soviéticos (ou, hoje, denunciar a ditadura castrista) seria (é) uma forma de fazer o jogo dos fascistas, dos imperialistas e dos capitalistas, é preciso estômago e coragem para olhar o Gulag de frente devido à muita vergonha acumulada pelos silêncios em que se virou o olhar e se calou a repugnância e a denúncia.
(Transcrito, com autorização do autor, de Botaacima)
outubro 26, 2003
TIPOGRAFIA CLANDESTINA
Secção: Iconografia , Vários

outubro 25, 2003
NOTAS BIOGRÁFICAS - José Morgado
Secção: Biografias / VidasEstão também disponíveis em linha uma série de artigos de José Morgado sobre os matemáticos oposicionistas da sua geração , sobre Hugo Baptista Ribeiro , sobre Ruy Luis Gomes , sobre Luis Neves Real.
outubro 24, 2003
NOTAS BIOGRÁFICAS - António Rosa Palma (“Tonico”)
Secção: Biografias / VidasDelegado de propaganda médica reformado, membro do PCP desde a década de cinquenta. Activista do MND, foi acusado em 1957 de ser membro do Núcleo do PCP de Aljustrel. Em 1963 a sua pertença à Comissão Concelhia de Aljustrel do PCP, levou-o à prisão.
Fontes:
Avante!, 16/10/2003
PIDE, Autos de Perguntas a António Rosa da Palma, Lisboa, 9 Janeiro - 21 Março 1957
PROCESSO: SC PC 7/57 (NT 5134)
EVOCAÇÃO DE MESTRE CABANAS
Secção: Biografias / Vidas"EVOCAÇÃO DE MESTRE CABANAS
Todos os barreirenses o tratavam, com a maior das deferências, pelo merecido título de Mestre Cabanas.
Poisava no Café Tico Tico, bem no centro do Barreiro, entre o Mercado e o Parque. Sentava-se numa mesa de canto, silencioso, puxava do canivete adaptado à função e, num pedaço de madeira pré-preparado, esculpia, horas a fio, extraordinárias obras de arte (rostos e paisagens) que, depois, valiam por si e como suporte para se produzirem e reproduzirem serigrafias. Nem eu, nem ninguém, se atrevia a incomodar o Mestre Cabanas enquanto ele trabalhava. E nem pensar alguém atrever-se a fixá-lo ou espreitar-lhe a obra enquanto o canivete estivesse a dar os seus geniais cortes. Quem quisesse cumprimentá-lo ou dar-lhe dois dedos de conversa, tinha sempre o cuidado de esperar que o Mestre tirasse os óculos e poisasse os apetrechos, dando o sinal de que estava em intervalo entre dois impulsos criativos.
Eu era um garoto armado em adolescente e o Mestre Cabanas já era um velho. Ele não era barreirense de gema, apenas adoptivo (como eu). Veio de Vila Real de Santo António e ficou-se pelo Barreiro onde a linha ferroviária acabava vinda do extremo do Algarve. Talvez, devido à comunhão das raízes, ele tenha dedicado a António Aleixo um extraordinário rosto esculpido em madeira e que se tornou a mais célebre imagem do poeta popular. Seco de carnes, vestia sempre de fato escuro, impecável e discreto no aspecto, calva ampla e punha os óculos na ponta do nariz quando se concentrava na obra.
Mestre Cabanas era um antifascista compulsivo. Assinava tudo que era manifesto da oposição, participava em todas as eleições e presidia a todas as mesas das sessões da oposição que se conseguiram realizar no Barreiro. Volta e meia, a Pide levava-o para a António Maria Cardoso e depositava-o uns tempos no Aljube ou em Caxias. Quando faltava no Café Tico Tico, todo o mundo sabia onde o Mestre tinha ido parar. Depois, ele voltava, discreto e silencioso, para o seu trabalho de artista, sem alardes nem prosápias.
Era republicano, laico e socialista democrático. Já muito velho, tornou-se numa figura emblemática do PS a seguir ao 25 de Abril. Mário Soares prestou-lhe culto enquanto pode. Conseguiu respirar a liberdade sem a poluição da Pide. Pouco tempo depois, deu repouso às suas mãos de artista genial e deixou-nos.
Lembro Mestre Cabanas cada vez que reparo que moro numa Rua de António Aleixo."
EM MEMÓRIA DO ANTÓNIO GRAÇA
Secção: Biografias / VidasTranscrevo o texto , com agradecimentos ao seu autor:
"Estatura baixa, aspecto frágil, cabelos muito encaracolados e completamente brancos, lentes muito grossas por trás dos óculos que dominavam o rosto. Carregou, no corpo e na alma, os traços de muitos anos de clandestinidade, porrada brava dada pela Pide em inumeráveis sessões de tortura sem o conseguirem rachar e muito tempo de cativeiro em Caxias e em Peniche. A dureza da vida de clandestino e de preso político não lhe tiraram a curiosidade pela vida, a frescura e a ânsia dos afectos. Amou as mulheres que foi tendo e as filhas que foi fazendo. Adorava ter amigos à sua volta, com comes e bebes para alimentarem a fraternidade e as rodas intermináveis de cavaqueiras e de procuras incessante dos caminhos que evitassem os becos sem saída. No meio de tudo e de tanto que o que o António era, até nos esquecíamos que ela era um Dirigente. Porque o António Graça era membro do Comité Central.
A vizinhança e a empatia permitiram o convívio a miúdo e o melhor conhecimento, cruzando famílias, amigos e cumplicidades.
Muitas foram as noites desfiadas até perto da alvorada a ouvir o António. Com uma memória prodigiosa e uma experiência riquíssima, ouvi-lo era como que ouvir uma parte importante da história da resistência à ditadura. Desfiava factos e pessoas mas só referia aspectos precisos, tudo aquilo que tivesse sido confirmado, provado e fosse inquestionável. Para mais, o António parecia que conhecia toda a gente. Em grande parte, aqueles ficheiros imensos e armazenados tinham a ver com a sua tarefa de responsável pelos serviços de informação do PCP.
Foi clandestino antes do 25 de Abril, depois, pela natureza da sua missão partidária, o António foi uma espécie de semi-clandestino. Reconduzido como membro do Comité Central após vários congressos, para o retirar da ribalta pública e não se assumir que o Partido tinha um serviço de informações, o António nunca era eleito durante os congressos, era sempre cooptado segundo uma quota criada internamente para o efeito. Estratagema criado para ele e para outros (aqueles que controlavam os militares, dirigentes da CGTP e alguns outros). Foi através do caso dele que soube que nem os militantes nem o povo conheciam a composição total do Comité Central. Os cooptados, durante as reuniões oficiais, eram mantidos à parte noutra sala durante o tempo em que os jornalistas entravam no consistório para olharem os dirigentes e lhes tirarem as fotografias da praxe. E os membros cooptados nunca eram referidos publicamente como dirigentes do Partido. Fazia parte das regras conspiratórias cumpridas mesmo em democracia.
Durante a clandestinidade, tinha sido responsável pela margem sul. Quantas vezes, o António não me apontava para este ou aquele prédio surgido na febre do betão e me dizia: olha, aqui havia um pinheiro onde eu costumava pregar um aviso para a confirmação da realização de um encontro clandestino. A seguir a 1962, teve problemas pois advogou a passagem a formas superiores de luta contra o fascismo (luta armada) e foi integrado no rol dos que se tiveram de se autocriticarem por desvio de esquerda. E foi, por um triz, que a Pide não o apanhou numa casa cheia, até ao teto, com rolos de dinamite.
Tornou-se crítico da direcção e sobretudo do despotismo magestático e estalinista de Cunhal. Foi a alma inspiradora da Terceira Via que agregou muita gente, o máximo de gente que uma dissidência no PCP jamais aglutinou. Teve os seus passos e a sua casa, vigiados por fiéis da direcção. Outros vigilantes tinham sucedido aos pides para vigiarem os movimentos e as relações do António. Acompanhei-o nesse projecto. Criticou-me quando abandonei as hostes partidárias por não estar para aturar insultos e suspeições sempre que defendia a liberdade de se apresentarem teses alternativas ao Congresso ou o voto secreto contra o sagrado voto de mão levantada, sobretudo não aguentei mais a companhia de dirigentes que me convocavam à Sede para inquéritos policiais sobre as minhas relações e informações. Ele achava que o património do PCP não podia ficar entregue aos estalinistas, eu entendia que aquele estalinismo era congénito. Mas, embora mais tarde que eu, também acabou por lhe chegar a hora de dizer basta e bater com a porta.
Não quis acompanhar a caminhada da maior parte dos terceiras vias que foram até ao PS. Idem quanto aos grupos que levaram até ao Bloco de Esquerda. Nisso, mantivemo-nos sempre no mesmo barco.
Fora do PCP, recusando apoios de novos mandarins no PS, aos 55 anos de idade, o António meteu-se no mercado de trabalho para sobreviver. Passei a vê-lo menos vezes. Trabalhava que nem desalmado numa agência de composição gráfica para ganhar a bucha. As vezes que o via, perguntava-lhe quando passava a escrito o muito que aquela memória tinha armazenado. Ria-se e dizia que não tinha tempo.
Um lamentável equívoco não me permitiu acompanhar o António à sua última morada. Uma notícia de jornal dizia que o corpo sairia de Benfica e afinal o funeral partiu de Belém.
Resta-me a memória do António Graça e a saudade de o ouvir e de lhe dar um abraço. "
outubro 21, 2003
INDÍCE - American Communist History
Secção: Bibliografia , Movimento comunista internacionalAmerican Communist History , Volume 2, Number 1 / June 2003
Essays
The Wondrous Tale of an FBI Bug: What It Tells Us About Communism, Anti-Communism, and the CIO Leadership pp. 3 - 20 by STEVE ROSSWURM
Soviet Military-Industrial Espionage in the United States and the Emergence of an Espionage Paradigm in US-Soviet Relations, 1941-45 pp. 21 - 51 by
KATHERINE A. S. SIBLEY
Essay Reviews
The Hollywood Reds: 50 Years Later pp. 63 - 76 by DAN GEORGAKAS
Mindful Activists pp. 77 - 80 by STAUGHTON LYND
Notes and Documents
Encounters with Communism, 1932-1940 pp. 81 - 94 by NATHANIEL WEYL
_Press Box Red_ by Lester Rodney and Irwin Silber: An Introduction by JULES TYGIEL and a chapter pp. 95 - 113
Book Reviews pp. 115 - 126
Randi Storch on James Patrick Cannon, Max Shachtman, and others, _ Dog Days: James P. Cannon Vs. Max Shachtman in the Communist League of America 1931-1933_ , edited by Prometheus Research Library (New York, N.Y.:
Spartacist Pub., 2002).
Daniel Geary on Kathryn S. Olmsted, _ Red Spy Queen: A Biography of Elizabeth Bentley_ (Chapel Hill: University of North Carolina Press, 2002).
Kathryn Olmsted on June Levine, _ Tales of Wo-Chi-Ca: Blacks, Whites and Reds at Camp_ (San Rafael, CA: Avon Springs Press, 2002).
Herbert Johnson on Arthur J. Sabin, _ In Calmer Times: The Supreme Court and Red Monday_ (Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1999).
Jon Ann McNamara on Phil Scraton, ed., _ Beyond September 11th: An Anthology of Dissent_ , (London Sterling, Va.: Pluto Press, 2002).
Peter Kenez on William Husband, _ "Godless Communists": Atheism and Society in Soviet Russia, 1917-1932_ (DeKalb: Northern Illinois University Press,
2000).
Joseph A McCartin on John Holloway, _ Change the World Without Taking Power_ (London Sterling, VA: Pluto Press, 2002).
Correspondence and Corrections p. 127-129
Letter from Werner Cohn. Response by Robert Lichtman and Ron Cohen
Letter from Andrew H. Lee.
A revista é acessível apenas por assinatura em Carfax Publishing Company.
NOTAS AUTO-BIOGRÁFICAS - Maria Machado Castelhano Pulquério
Secção: Biografias / Vidas"Notas sobre a minha vida na clandestinidade - Maria Machado Castelhano Pulquério (Odivelas, 7 de Outubro de 2003)
Vale de Vargo é uma aldeia do concelho de Serpa na margem esquerda do Guadiana, quase na fronteira com Espanha. São daí os meus pais e foi aí que eu nasci, em 1949.
Na aldeia quase todas as pessoas eram trabalhadores assalariados sem terra. Durante o ano havia muitos dias e muitas semanas sem trabalho e isso era imediatamente a fome. Lembro-me duma manifestação, à qual se juntou toda a nossa família, em que as pessoas levavam bandeiras pretas e gritavam temos fome, temos fome.Quando o trabalho faltava muitas pessoas iam pelos campos para comerem a fruta que encontrassem.
Esta insustentável situação só se mantinha com a GNR. Volta não volta ouvia os meus comentarem a prisão de vizinhos. Receávamos que mais tarde ou mais cedo também levassem o meu pai. Foi o que acabou por acontecer. A nossa casa estava entre aquelas que a GNR "visitava" de cada vez que havia protestos dos trabalhadores agrícolas. Eu e as minhas irmãs, como muitas outras crianças de Vale do Vargo, crescemos no medo da GNR.
Tinha 8 anos quando os meus pais tiveram de passar à clandestinidade. Foram para local desconhecido que depois soube ser o Barreiro. Levaram a minha irmã mais velha porque já tinha terminado a instrução primária e a mais nova porque ainda não chegara à idade da escola.
Três anos depois, aos 11 anos, passei eu também à clandestinidade mas, apesar de me terem dito que era uma vida muito difícil e não podia fazer a vida das outras crianças, a clandestinidade para mim vinha acompanhada da alegria de ir viver com os meus pais e as minhas irmãs. No entanto, com a minha chegada deu-se o regresso da irmã mais nova (Maria José) para frequentar a escola e poucos meses depois partiu a mais velha (Luísa Basto) para a União Soviética onde foi estudar e depois terminou um curso superior de canto.
Ajudava os meus pais a imprimir o Avante, O Militante, panfletos, em papel bíblia muito fininho para os seus leitores o poderem esconder facilmente da PIDE.
Era um trabalho feito nas casas que habitávamos e os meus pais alugavam com nomes falsos. Usávamos umas impressoras primitivas, em que colocávamos letra a letra, as letrinhas de chumbo até completarmos os artigos e as páginas e comprimíamos contra elas manualmente, o papel e a tinta, com um pesado rolo metálico forrado de flanela. Muito primitivo mas saia bem. O quebra-cabeças era não deixar passar as insidiosas gralhas!
Vivíamos no receio de os vizinhos se aperceberem do ruído por isso o trabalho era acompanhado pela telefonia de goelas abertas. E quando um dia uma folha do Avante se escapou por debaixo do estore e se expôs à vista da vizinhança? Podia obrigar a uma fuga precipitada mas felizmente ninguém terá dado por isso antes de a descobrirmos ali.
A vida era muito complicada e rodeada de perigos. O mais difícil era parecer que levávamos uma vida normal. O meu pai tinha de entrar e sair de casa a tais horas e de tal maneira que o vissem sair do emprego e chegar do trabalho e não o vissem reentrar em casa nem dessem pela presença dele.
Em 1966 o PCP propôs aos meus pais que eu fosse tirar um curso político em Moscovo durante um ano. Tinha 17 anos de idade, cinco de clandestinidade e estar fechada em casa naquela idade... Jovens menos resistentes tiveram graves problemas de saúde mental.
Fui com gosto.
Atravessei a fronteira "a salto" por Trás-os-Montes na direcção de Bragança, de mão em mão, guiada pelo aparelho clandestino do partido. Aconteceu um episódio inesquecível. A certa altura fui levada, a pé e de carro, de olhos fechados, para uma casa clandestina algures nos arredores do Porto e quem encontro lá? Um casal com um filho loirinho de três anos. Só que a mulher era a minha tia Luzia, que me vira pela última vez com 9 anos e não podia me reconhecer. Ali ninguém sabia quem eu era. Foi um acaso. Quem organizou a minha partida não sabia nem podia saber que caminhos levaria. Quem me levava daqui para ali não sabia quem eu era, nem donde vinha. Cheguei à casa da minha tia que não sabia nem devia saber quem ia passar pela sua casa.
Com os pseudónimos e todas as regras de compartimentação pareceu-me que não me podia denunciar. Devo ter ficado com um ar demasiado apreensivo porque a minha tia perguntava-me o que se passava. Depois observou um caderno que eu levava com exercícios, composições e outros elementos de estudo- estudo que fazia em casa de meus pais com livros que o "camarada controleiro" nos levava de mês a mês e único convívio que tínhamos sem disfarces.
A minha tia a certa altura exclamou: "mas eu conheço esta letra". Conhecia-a, claro, das cartas que eu lhe escrevia e lhe chegavam pelos circuitos do partido. Então foi aí que eu a abracei como sobrinha!
Em Vichniki, a 20 quilómetros de Moscovo, na Escola Central de Konsomol (organização da juventude comunista da União Soviética) estudei Economia Política, História do Movimento Operário e Comunista Internacional, Filosofia (o materialismo-dialéctico e história das correntes filosóficas) além do Russo.
Uns trezentos jovens, rapazes e raparigas de todo o mundo. Europeus, asiáticos, africanos incluindo das colónias portuguesas, da América Latina.
À Escola já tinham chegado o "Carlos" que era Raimundo e a "Ana" que era Mariana. Em Moscovo conheci outros portugueses e pude estar com a minha irmã Luísa.
Tínhamos uma bolsa equivalente ao salário de um operário, com que pagávamos a comida, transportes, espectáculos e comprámos algumas coisas para nós. Comprámos um gira-discos e uma colecção de discos de boa música, da barroca à moderna. A cultura era em geral muito acessível.
Deram-nos um bilhete de identidade que nos permitia movimentar livremente em Moscovo e arredores. Com os companheiros portugueses e muitas vezes com a nossa grande amiga Galina Verskovskaya, nossa intérprete, durante esse ano vi dezenas de filmes, peças de teatro, concertos na "Tchekovskaya Zal", com David e Igor Oistrak, com Sviatoslav Richter e quase todo o programa de Ópera e bailado do Teatro Bolshoi.
Eu, que nunca tinha ido ao cinema, quanto mais à ópera ou a um concerto da Orquestra Sinfónica de Moscovo!
E tínhamos diariamente ali à mão, para passeios, festas, namoros, cantares, e discussões políticas, dezenas de jovens das mais variadas línguas, liberdades, clandestinidades e guerrilhas. Já nossos amigos.
Parecia-me o paraíso.
Claro que não ficámos a saber tudo nem sobre a História nem sobre a vida dos muitos povos da URSS. Nem das questões ligadas à Liberdade por que tanto lutávamos em Portugal. Mas isso é outra história que não cabe aqui agora e que não sendo a que nos era oferecida lá também não é a dos que sempre odiaram o socialismo pelo que ele tinha de melhor.
Voltei a Portugal em 1968 não sem combinarmos, eu e o "Carlos", juntarmo-nos em Portugal. Casar não é o termo próprio da clandestinidade mas foi isso que decidimos. Numa data, hora e local aprazado encontrei-me com ele e fomos viver para o apartamento, clandestino claro, que ele tinha alugado, no Bairro da Beneficiência em Lisboa.
Aqui o "controleiro" era outro, um assim grande, forte e muito alto que tratávamos por tu e por João. Quando dois anos depois foi preso ficámos a saber que o João era o Ângelo Veloso. No partido todos se tratavam por tu, e por "amigo" em vez de camarada para que nem as paredes ouvissem.
Eu colaborava na organização do que mais tarde em 1970 se viria a chamar ARA, a Acção Revolucionária Armada. Colaborei na criação de um laboratório, no reconhecimento de objectivos e particularmente, com todas as "companheiras", na "defesa da casa".
As mulheres acabavam quase sempre secundarizadas na política porque, por razões de defesa, só um em cada casa podia ter ligações e contactos com outros camaradas.
Em seis anos mudámos seis vezes de casa. Em Lisboa e arredores. Alugar casa, comprar mobília, ou algo parecido, e depois mudar de uma para outra sem deixar rasto era uma arte e um... tormento. A partir do segundo ano com um bebé, a minha filha Leonor. O segundo filho, José Alexandre, a última criança a nascer na clandestinidade, só chegou nas vésperas do 25 de Abril de 74.
Nunca fui presa. Escapei por pouco porque a PIDE assaltou a casa dos meus pais dois meses depois de eu ter ido viver com o meu marido. A minha irmã Maria José com 14 anos foi libertada pouco tempo depois mas o meu pai, José Pulquério, ficou preso e a minha mãe, Úrsula Machado, quatro, mas as torturas deixaram-na com a saúde muito abalada para o resto da vida.
Ter filhos não atrapalhava. Pelo contrário ajudava. E muito. A suportar o isolamento e a dar-nos uma nova vida. O que nos angustiava era termos de nos separar dos filhos aos sete anos. Não era possível viver na clandestinidade e cada vez que tínhamos de fugir e mudar de casa matricular os filhos numa nova escola sem dizer de que escola vinham. Os sete anos era o tormento para a família. Os filhos partiam ou para as famílias que raramente tinham condições para os ter ou mais habitualmente para a União Soviética.
Uma vida sob tensão mas em geral uma vida muito... ia dizer agradável mas talvez não seja bem o termo, talvez antes muito realizada.
Dos sustos o maior foi quando a PIDE pôs nos jornais e na televisão a fotografia do meu marido, de Jaime Serra, Francisco Miguel e Ângelo de Sousa da ARA, de Carlos Antunes das Brigadas Revolucionárias e Joaquim Simões da LUAR.
Apesar dos disfarces, óculos, barba, nomes diferentes, não sabíamos se os vizinhos o podiam identificar. Visitei nesse dia a minha vizinha, a Sra D. Irene, pessoa idosa a viver só, (no apartamento ao lado do nosso, que ainda hoje habitamos) excelente senhora, muito nossa amiga, professora no Convento de Odivelas. Venerava Salazar: um santo!
Queria observar a sua reacção. Mandou-me entrar e sentar ao seu lado. Lia a nota da PIDE com as fotografias escarrapachadas no Diário de Notícias e comentava, olhe estes terroristas. Este é operário, quer ser ministro. E este!
Um estudante universitário misturado com eles. Enganado!
Depois de lhe pedir um raminho de salsa voltei para casa mais descansada.
Depois veio a revolução dos cravos, a democracia e a liberdade. E a nossa vida passou a ser como a dos outros portugueses.
ARA - Página pessoal de Raimundo Narciso
Secção: Biografias / Vidas , Organizações - PCPRaimundo Narciso tem uma página pessoal na Internet que inclui não só excertos do seu livro memorialístico sobre a ARA, como outra documentação sobre esta organização armada do PCP.
NOVA BIOGRAFIA DE HÔ CHI MINH
Secção: Biografias / Vidas , Movimento comunista internacionalFoi publicada em França uma nova biografia de Hô Chi Minh, de autoria de Pierre Brocheux, Hô Chi Minh. Du Révolutionnaire à l'Icône , Paris , Payot, 2003. Brocheux, um especialista da Indochina, utiliza abundante bibliografia e fontes em vietnamita.
outubro 20, 2003
FUNDAÇÃO ÁLVARO GUERRA
Secção: Arquivos, Bibliotecas, FundosSegundo notícia publicada pelo Público de 20 de Outubro de 2003, vai ser constituída em Vila Franca de Xira uma Fundação Álvaro Guerra:
"Álvaro Manuel Soares Guerra ficou sobretudo conhecido pelas suas actividades como escritor, diplomata e jornalista, mas desenvolveu também um percurso político importante. Pouco tempo depois de ter regressado a Vila Franca, após uma intensa carreira diplomática, Álvaro Guerra faleceu a 21 de Abril do ano passado, vítima de problemas cardíacos.
Como escritor ficou sobretudo conhecido pela publicação da chamada "trilogia dos cafés" - Central, República e 25 de Abril - onde, a partir de conversas desenvolvidas no mais "castiço" café de Vila Franca, relatou fases marcantes da história de Portugal vividas numa vila ribatejana. Antes revelara já a sua forte oposição ao antigo regime e exilou-se em França, depois de sofrer algumas perseguições de agentes da PIDE. Frequentou, então, a École des Hautes Études da Sorbonne, onde enriqueceu a sua experiência cultural. Regressado a Portugal prosseguiu as suas actividades literária e jornalística, colaborando no "República", jornal opositor do regime, envolvendo-se na fundação do vespertino "A Luta".
Após o 25 de Abril de 1974 desempenhou funções de director de informação da RTP e foi assessor do Presidente da República Ramalho Eanes. Iniciou, depois, uma carreira diplomática que o levou à antiga Jugoslávia de 1977 a 1984. Na qualidade de embaixador passou, também, por locais como Nova Deli, Kinshasa e Estocolmo."
outubro 19, 2003
BIBLIOGRAFIA VÁRIA
Secção: BibliografiaPara o estudo do "browderismo"
Neil Redfern, "A British Version of 'Browderism': British Communists And the Tehran Conference of 1943," Science & Society, 66, no. 3 (Fall 2002).
e da guerra civil espanhola e das Brigadas Internacionais
Ken Reichstein, "A View of Some Contemporary Issues Surrounding the Spanish Civil War and the Abraham Lincoln Brigade," paper presented at the Conference on the Spanish Civil War and the Abraham Lincoln Brigade and sponsored by the International Conference Group on Portugal (Concord, NH, 2002), "A Paper on the Abraham Lincoln Brigade," 18 February 2002, archived at ALBA.
MORTE DE FERRER CORREIA
Secção: Biografias / VidasMorreu Ferrer Correia, um dos juristas e académicos que aderiu ao MUD no imediato pós-guerra. Na sua necrologia no Público, faz-se referência ao seu
"percurso coerente de defesa dos ideiais republicanos e académicos. Aluno brilhante, doutorou-se aos 27 anos com uma tese sobre o "Erro e interpretação na teoria do negócio jurídico" que lhe granjeou prestígio a nível internacional. As convicções políticas, contudo, haviam de lhe atrasar a carreira académica: em 1945, com outros mestres da Faculdade de Direito, como Manuel de Andrade, Teixeira Ribeiro e Eduardo Correia, aderiu ao Movimento de Unidade Democrática, o que lhe valeu ter de esperar dois anos pela abertura do concurso para Professor Extraordinário da instituição. "
outubro 12, 2003
NOVO ENDEREÇO PARA CORREIO ELECTRÓNICO
Secção:A correspondência para os Estudos sobre Comunismo deve passar a ser enviada para estudossobrecomunismo@yahoo.com .
CARTAZ COMUNISTA CONTRA ENVIO DE ALIMENTOS PARA A HUNGRIA EM 1956
Secção: Iconografia
outubro 11, 2003
BIBLIOTECA DULCE FERRÃO NO MUSEU DA REPÚBLICA E DA RESISTÊNCIA
Secção: Arquivos, Bibliotecas, FundosSegundo regista o Museu da República e da Resistência a Biblioteca Dulce Ferrão será integrada nos seus fundos:
"O espólio de 26 mil volumes da biblioteca que o jornalista, escritor e democrata Carlos Ferrão foi reunindo veio enriquecer o núcleo original da Biblioteca - Museu República e Resistência permitindo que a Biblioteca Dulce Ferrão se apresente como o mais completo repositório bibliográfico do Portugal contemporâneo, com destaque para a História da Primeira República, do Estado Novo e da oposição ao Regime, do 25 de Abril e seus actores, da Guerra Colonial e da Descolonização Portuguesa."
HOMENAGEM A ANTÓNIO LOPES CARDOSO
Secção: Biografias / Vidas
Realizou-se no Museu da República e da Resistência uma homenagem a António Lopes Cardoso, em que participou o Presidente da República. O relato dessa homenagem encontra-se no Público de 11 de Outubro de 2003.
Uma pequena biografia de António Lopes Cardoso encontra-se aqui.
O “TEMPO DE ÁLVARO CUNHAL” (VI JORNADAS HISTÓRICAS DE SEIA)
Secção: Biografias / Vidas , Colóquios , conferências, debatesVão-se realizar, nos dias 12 a 14 de Novembro, em Seia, as VI Jornadas Históricas de Seia, subordinadas ao tema:
O TEMPO DE ÁLVARO CUNHAL.
SOCIEDADE, POLÍTICA E CULTURA. SITUAÇÃO E OPOSIÇÃO.
Dia 12
9h30
Recepção aos participantes e entrega de documentação
10h
Sessão de abertura
10h30
Apresentação:
"Caminhos políticos e culturais: da Primeira República ao 25 de Abril, do Modernismo ao Neo-Realismo"
por Luís Reis Torgal (Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
11h
"Bento Jesus Caraça nas coordenadas teórico-políticas do seu tempo"
por António Pedro Pita (Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)
11h40
Debate coordenado por Luís Reis Torgal
Almoço
14h30
Recomeço dos trabalhos
14h35
"O ciclo histórico do Neo-Realismo e a autarcia do Estado Novo (1937-1959)
por Luís Augusto Costa Dias (Investigador da Biblioteca Nacional de Lisboa)
15h15
"Música de intervenção e Lopes Graça"
por Teresa Cascudo (Professora da Universidade de La Rioja-Espanha)
15h45
Pausa para café
16h
"A arte dos regimes totalitários: breves considerações"
por Nuno Rosmaninho Rolo (Professor da Universidade de Aveiro)
16h40
Debate coordenado por L. Reis Torgal
Dia 13
10h00
Início dos trabalhos
10h05
"Comunistas e republicanos 'revilharistas' na luta contra a ditadura (1927-1939)
por Luís Farinha (director adjunto da revista História)
10h45
"Álvaro Cunhal e a criação cultural"
por Odete Santos (Deputada do PCP)
11h15
pausa para café
11h30
"O devir histórico e Abel Salazar e Álvaro Cunhal"
por Norberto Cunha (Professor da Universidade do Minho)
12h10
Debate coordenado por L. Reis Torgal
Almoço
14h30
Início dos trabalhos
14h35
"Álvaro Cunhal e a 'refundação' do PCP. Notas sobre a organização dos nos 40 (sic)"
por Fernando Rosas (Professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa)
15h15
"Os primeiros anos 60 ea viragem do PCP"
por João Madeira (Escola Secundária Padre António Macedo - Santo André)
15h45
Debate coordenado por L. Reis Torgal
16h20
Beberete
21h30
Projecção do filme de J. Fonseca e Costa Cinco Dias e Cinco Noites
seguido de debate
dia 14
9h30
Início dos trabalhos
9h35
"Os anos de aprendizagem de Álvaro Cunhal (1931-1939)
por João Arsénio Nunes (Assistente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa - Lisboa)
10h15
Tema a confirmar
por José Pacheco Pereira (Deputado no Parlamento Europeu)
11h20
Debate coordenado por L. Reis Torgal
12h
Encerramento das VI Jornadas Históricas
(Informação de Paulo Agostinho)
outubro 10, 2003
COMMUNIST HISTORY NETWORK NEWSLETTER ON LINE
Secção: Bibliografia , Movimento comunista internacionalCommunist History Network Newsletter, Issue 14, Spring 2003
Editors' introduction
Announcements
'An Inspiring Example'
Memories from Jarama
'Dissent' Conference
British Labour and Social History
Conference on PCE
Research Notes
Piero Sraffa, Nerio Naldi
Features
Charles Poulsen (1911-2001): Cabbie, novelist, historian and poet, Charles Hobday
The League Against Imperialism: British, Irish and Indian connections, Kate O’Malley
Reviews
James Eaden and David Renton, The Communist Party of Great Britain Since 1920, reviewed by Richard Cross
June Levine and Gene Gordon, Tales of Wo-Chi-Ca: Blacks, Whites and Reds at Camp, reviewed by Martin Willis
Stephen A Resnick and Richard D Wolff, Class Theory and History: Capitalism and Communism in the USSR, reviewed by Francis King
John Peck, Persistence: The Story of a British Communist, reviewed by Richard Cross
Daniel J Leab, I Was a Communist for the FBI, and David McKnight, Espionage and the Roots of the Cold War: The Conspiratorial Heritage, reviewed by Richard C Thurlow
outubro 07, 2003
International Review of Social History
Secção: BibliografiaNa IRSH, Volume 48 parte 2 (Agosto 2003), dois artigos sobre o movimento comunista:
Allison Drew, 'Bolshevizing Communist Parties: The Algerian and South African Experiences'
Brigitte Studer and Berthold Unfried, 'Private Matters Become Public: Western European Communist Exiles and Emigrants in Stalinist Russia in the 1930s'
outubro 06, 2003
Arquivo de Lino Paulo doado ao Arquivo Municipal de Sintra
Secção: Arquivos, Bibliotecas, FundosSegundo o Sintra Digital de 16-06-2003 :
"O arquivo particular de Lino Paulo foi doado ao Arquivo Municipal de Sintra. De todo o acervo reunido em toda uma vida política, que vai desde a resistência ao fascismo até aos dias de hoje, o ex-vereador da CDU, Lino Paulo, destacou, em declarações ao Sintra Digital, um documento, datado de 1922, das Juventudes Comunistas e «todos os documentos que retratam a luta contra a especulação imobiliária» bem como os que dão conta da criação do movimento sindical em Portugal. «Quem quiser fazer um estudo sobre a história contemporânea de Sintra e mais especificamente sobre o poder local não poderá deixar de ir ao arquivo», sublinha Lino Paulo.
O ex-vereador Lino Paulo, que desde o 25 de Abril até ás últimas eleições autárquicas foi candidato pela CDU à presidência da Câmara Municipal de Sintra, doou todo o seu espólio ao Arquivo Municipal de Sintra. Dessa forma, fica, a partir de agora, disponível para estudantes e investigadores, um extenso acervo documental que ficará distribuído por oito secções base: estruturas políticas e partidárias, documentação oficial e informação noticiosa, actividade autárquica, cartazes e prospectos, material de propaganda especial, Veredas - Cooperativa Cultural de Sintra CRL, documentação monográfica, jornais e revistas.
Questionado sobre que documentos mais destacaria deste arquivo, que tem vindo a ser tratado por técnicos da Câmara aos níveis de preservação e arquivo, Lino Paulo refere um prospecto «para os que gostam de antiguidades» das Juventudes Comunistas, datado de 1922. Mas refere essencialmente «os documentos que falam da luta travada ao longo dos anos contra a especulação imobiliária, documentos relacionados com o aparecimento do movimento sindical ligado à igreja, ao PCP, PS e aos partidos esquerdistas».
O actual líder de bancada da CDU na Assembleia Municipal refere que foi juntando todos estes documentos «porque pensava que ia seguir uma vida académica» e tencionava produzir um trabalho de investigação histórica sobre o 25 de Abril, o fascismo e o Poder Local, numa altura em que era professor no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, onde leccionava Metodologia das Ciências Sociais. No entanto, a vida política trocou as voltas ao destino do autarca que se deu conta que já não ia realizar o trabalho e que «este material podia interessar a outras pessoas». E foi assim que com João Rodil e Rogério Monteoito, do Arquivo Municipal, Lino Paulo se decidiu a doar o seu arquivo particular.
A cerimónia oficial de doação do arquivo realizou-se no sábado na presença de António Ventura, professor catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa e de José Casanova, membro da Comissão Política do PCP e director do jornal "Avante!".
NOTAS BIOGRÁFICAS - João Manuel da Costa Feijão
Secção: Biografias / Vidas(1945 – 15/9/2003)
Licenciado em história, funcionário do PCP. Activista associativo, participa nas lutas estudantis dos anos sessenta, altura de que datam os seus primeiros contactos com o PCP, embora só se tivesse filiado depois do 25 de Abril de 1974. Esteve em Angola como cooperante.
No PCP foi membro do CL de Lisboa, “colaborador” do CC, um cargo de grande confiança política, e tinha a responsabilidade do Gabinete de Estudos Sociais, que inclui o arquivo do partido. Era, na prática, à data da sua morte, o “historiador oficial” do PCP, tendo publicado dezenas de notas históricas quer no Avante!, quer no Militante.
Avante!, 18/9/2003
(ver nota pessoal nos EsC 17/9/2003)
Alguns artigos de Costa Feijão:
"Bento Gonçalves e o reformisno", O Militante, Ano 71, Série IV, 263, Março/Abril 2003
“1941 - Renascem os prelos do PCP”, Avante!, 21/8/2003,4
“1943 - Saber avançar saber recuar”, Avante!, 31/7/2003
“A greve da mala”, Avante!, 3/7/2003
“A manif no Largo Conde do Pombeiro” , Avante!
“Algarve - Matrículas da miséria” , Avante!
“As Comunas de Lisboa” , Avante!
“As pedras voadoras” , Avante!
“Cabeças rachadas em Rio Tinto” , Avante!
“Do Maranhão a Moscovo”, Avante!, 24/7/2003
“Fados na Amadora” , Avante!
“Lutas nas marinhas do sal”, Avante!, 22/5/2003
“Marianismos salazarentos” , Avante!
“Memória do Oeste”, Avante! , 28/8/2003
“Os baldios para o povo” , Avante!
“Os prelos clandestinos de "O Corticeiro”, Avante!, 17/7/2003
“Os primeiros presos comunistas”, Avante! , 4/9/2003
“Raízes da Reforma Agrária” , Avante!
“Recordando as lutas operárias às portas de Abril” , Avante!
“Reorganização da FJCP – 1934-1935” , Avante!
“Sementes de searas vermelhas” , Avante!
“Subterrâneos da Liberdade” , Avante!
“Teias de exploração - 1939-1949” , Avante!
“Uma Conferência Camponesa”, Avante! , 7-8-2003
outubro 04, 2003
NOTAS BIOGRÁFICAS - António Braz Perfeito Flamino
Secção: Biografias / Vidas(1920 – Sintra, 28/8/2003)
Bombeiro sapador aposentado. Membro do PCP, pertenceu ao Comité Local de Setúbal (1940) . Depois do 25 de Abril estava organizado em Almargem do Bispo (Sintra). Segundo o Avante!, “procurou sempre passar os valores e ideais do Partido”.
FONTE: Avante!, 18/9/2003
LABOUR HISTORY REVIEW - Número especial sobre comunismo
Secção: Bibliografia , Movimento comunista internacionalLABOUR HISTORY REVIEW VOLUME 68 NUMBER 1 APRIL 2003
SPECIAL ISSUE INTERNATIONAL COMMUNISM (Guest editors for this issue: John McIlroy and Alan Campbell)
CONTENTS
EDITORIAL
New directions in International Communist historiography
JOHN MCILROY AND ALAN CAMPBELL
OBITUARY
Royden Harrison
ARTICLES
Shifting sands: changing interpretations of the history of German Communism
RICHARD CROUCHER
Histories of the British Communist Party: a user’s guide
JOHN MCILROY AND ALAN CAMPBELL
The historiography of American Communism: an unsettled field
JOHN EARL HAYNES AND HARVEY KLEHR
Moscow versus Amsterdam: reflections on the history of the Profintern
REINER TOSSTORFF
Forging the faithful: the British at the International Lenin School
JOHN MCILROY, BARRY MCLOUGHLIN, ALAN CAMPBELL AND JOHN HALSTEAD
REVIEW ESSAY
Music for Labour(ed) Movements: Why the Chattanooga Choo-Choo rather than The International became the song to unite the human race
MAREK KORCZYNSKI
BOOK REVIEWS
NOTES FOR CONTRIBUTORS
outubro 02, 2003
NOTAS BIOGRÁFICAS - Domingos da Costa Gomes
Secção: Biografias / Vidas
(Chaves, Janeiro 1921 - Julho 2003)
Advogado.
Entrou em Novembro de 1943 para a organização juvenil do PCP , depois para o MUDJ
PCP no Porto
Advogado dos presos políticos
Membro do Movimento da Paz e da Comissão Nacional da Paz
22-29/6/1955 - Dirigiu a delegação do Movimento da Paz à Assembleia Mundial da Paz em Helsínquia.
9/11/1955 – Preso, julgado no Plenário, libertado em 28/7/1956
1958 – Em colaboração com Joaquim Pires Jorge organiza um aparelho de fronteira por onde passaram vários dirigentes em missão a França e à URSS. Entre esses conta-se Álvaro Cunhal, que transportou a Paris, via Barcelona.
“Como nasceu, se constituiu e se organizou um tal "aparelho de fronteira" que se manteve em funcionamento, sem falhas, durante 16 anos?
Durante o mes de Fevereiro de 1958 transportei o camarada Octávio Pato do Porto para Lisboa onde ele ia, em nome do Secretariado do Partido, convidar o Coronel Ribeiro de Carvalho para figurar como candidato da esquerda a Presidência da República, já que Cunha Leal tinha declarado no dia 30 de Janeiro, num comício que teve lugar no Coliseu dos Recreios do Porto, que não aceitava ser candidato. 0 Coronel Ribeiro de Carvalho era originário de Chaves e meu particular amigo.
Durante a viagem que, por questões de segurança, decorreu de noite, falei a Octávio Pato nas possibilidades que eu tinha de ajudar a montar um "aparelho de fronteira". Pouco tempo depois apareceu-me em Chaves o camarada Joaquim Pires Jorge com quem eu realizara diversas missões de responsabilidade e que me conhecia bastante bem.
Durante largas horas houve entre nés uma ampla troca de impressões através das quais foi nascendo a futura estrutura do "aparelho de fronteira". Pires Jorge regressou ao sul certamente para transmitir aos restantes membros da Direcção do Partido as conclusões a que chegáramos e corn sugestões para corrigir este ou aquele pormenor.
Em novo encontro, que tivemos em Chaves pouco depois, ficou decidido instalar o "aparelho de fronteira" com a passagem da fronteira em Travancas corn a ajuda de António Maldonado e da esposa Fernando Alves, pessoas as quais me ligavam sólidos laços de amizade, que eu sabia serem inteligentes, corajosos, honradíssimos e com prática de passagem na fronteira através do pequeno contrabando que ali se fazia.
Pires Jorge quis conhecer o casa e do contacto entre todos ficou decidido que eles prestariam a sua preciosa ajuda no funcionamento futuro do "aparelho". Por todos foi realçado que a funcionamento do "aparelho" exigia muita disciplina a implicava certos perigos. De tudo isso assumiu a casal a responsabilidade respectiva.”
(Domingos da Costa Gomes , “Criação e actuação de um “aparelho” de fronteira” , Militante, 243, Nov.-Dez. 1999)
Julho 1964 – A PIDE pede à DGS a sua proibição de entrada em Espanha.
Agosto 1964 - Preso novamente , evadiu-se. Atravessou clandestinamente a Espanha e foi para França. Teve dificuldades em arranjar trabalho e deslocou-se à Suiça e Bélgica. Trabalhou como tradutor do Conselho Mundial da Paz.
8/5/1966 – Vai para o Canadá (Montreal) com a mulher e uma filha. No Canadá teve múltiplos ofícios, incluindo serralheiro, professor, enfermeiro, agente de seguros, empregado de supermercado, etc.
Prosseguiu o trabalho político no Canadá onde presidiu ao Movimento Democrático Português de Montreal, junto com Rui Cunha Viana. Colaborou na imprensa , em particular no Luso.Canadiano dirigido por Henrique Tavares Belo.
10/12/1968 – Sessão comemorativa dos 20 Anos da Declaração dos Direitos do Homem em Montreal
1969 - Eleito Presidente do Portuguese Canadian Congress, organização de professores de Toronto
Julho 1970 – Regressa a Portugal e retoma o seu trabalho como advogado.
Depois do 25 de Abril foi dirigente concelhio de Chaves do PCP e candidato em várias eleições
1989 – Colaboração regular no Semanário Transmontano
Activista da regionalização, publicou Regionalização de Trás-os-Montes, Porto, Campo das Letras, 2001
FONTES :
PIDE/DGS, Processo 106/55, NT. 5116
Tribunal da Boa Hora , 1º J, Pr. 15579/59
Avante! , 17/7/2003
Semanário Transmontano, 17/7/2003
Domingos da Costa Gomes , “Criação e actuação de um “aparelho” de fronteira” , Militante, 243, Nov.-Dez. 1999
Domingos da Costa Gomes , “Um episódio simples” , Avante!, 8/3/2001
ANEXO - Escolástica Aristotélica (Avante! , 30/12/2000)
"Quando se medita sobre o que se passou na ex-União Soviética e nos países do Leste europeu chega-se à conclusão de que Estaline e os seus apoiantes se esqueceram do materialismo dialéctico e caíram em formas disfarçadas da escolástica aristotélica, criando dogmas e anulando conquistas que a humanidade tinha conseguido com a Revolução Francesa, como sejam violações no campo da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, num regresso a práticas e comportamentos que a Teologia utilizou na Idade Média. Revendo Heráclito encontram-se as primeiras formulações da dialéctica: a luta entre contrários que gera transformações em que tudo nasce, cresce e morre, em que cada coisa contém em si aquilo que a nega. Mas as leis da dialéctica só aqueles que estiverem atentos aos fenómenos são capazes de as entender.
(...) Também as práticas estalinistas criaram dogmas que não poderiam ser nem violados nem esquecidos cuja violação foi fortemente reprimida, desrespeitando o princípio proclamado por Karl Marx de que a teoria não é um dogma mas um guia para a acção.
(…) Mas, com deformações graves, foi esquecido o materialismo dialéctico e em seu lugar criado um falso marxismo-leninismo, que, na URSS, Estaline e os dirigentes que o apoiavam e seguiam, utilizaram largamente novas formas de escolástica aristotélica, que se espalhou na prática dos partidos comunistas nos países capitalistas e nos países do Leste Europeu o que tudo culminou com a dissolução da URSS e no regresso ao campo do capitalismo.
Os erros cometidos por esta prática não foram, ainda, corrigidos.
Trava-se hoje, nas vésperas do XVI Congresso, uma espécie de luta entre os chamados ortodoxos e os renovadores. Há que evitar que uma tal luta deixe de ser civil1zada e que seja, pelo contrário, criadora de inovações necessárias, dada a actual situação no mundo com novas conquistas da ciência e da
tecnologia.
Com o bom senso que tem revelado nas suas actuações, Carlos Carvalhas pode contribuir para que a luta que se trava entre a tese que é representada pelos chamados ortodoxos e a antítese que é representada pelos chamados renovadores não redunde em confusão e em sectarismo mútuo e possa vir a resolver-se dialecticamente nuna síntese criadora que polarize e junte as partes positivas da tese e da antítese após e através de uma discussão franca c aberta, com elevação do nível ideológico. Um certo obreirismo minimiza o papel que os intelectuais desempenharam na formação do marxismo-leninismo e que terão que continuar na sua modernização.
Durante a dureza da luta contra o salazarismo tinham muita importância quadros de luta que fossem bons organizadores. Mas só isso não chegou, como hoje não chega.
A sombra tutelar de Aristóteles influiu e ainda influi na mentalidade de muitos dirigentes comunistas e na mentalidade e na formação de outros dirigentes e quadros de luta.
S. Tomás de Aquino e os teólogos que assimilaram e seguiram ideias e princípios de Aristóteles, através das regras da Escolástica, largamente utilizadas quer por elementos da Inquisição e dos Tribunais do Santo Ofício quer por governantes, conseguiram travar o progresso durante séculos.
A prática da escolástica aristotélica perdura, quer nas ideias quer na prática.
O salto em qualidade terá que ser dado, mais tarde ou mais cedo, e será óptimo que o seja já no XVI Congresso expurgando dele quaisquer vestígios da Escolástica para que se revista da importância necessária neste princípio de milénio; há que restabelecer, de modo claro e inequívoco, o marxismo-leninismo, na sua total pureza. Se isso não for feito, o XVI Congresso do PCP não passará de uma espécie de adiamento.".
outubro 01, 2003
THE INTERNATIONAL NEWSLETTER OF COMMUNIST STUDIES - 2003
Secção: BibliografiaPreliminary contents
The International Newsletter of Communist Studies , IX (2003), no 16
Editorial Board
Section I
Preserve for all time? Archival Problems - New Archival Projects - Institutions and funds
John Haynes, Washington: 170 000 Names for the INCOMKA Database of the Comintern Archives. The Result of International Cooperation
Alexandre Courban, Paris: A Journey into the Archives of the Communist Party of France (PCF)
The Records of the Communist Party of the USA in the Comintern Archives
Neue Veröffentlichungen und Ressourcen zum Archivwesen
Section II
Regional Communist Studies
Avgust Lešnik, Ljubljana: 1948 - Yugoslavia and the Cominform - Fifty Years Later
Bernhard H. Bayerlein, Germany: Lazar and Victor Kheyfetz, Russia: Rereading Anew The History of the Comintern and Communist Parties of Latin America in Contemporary Studies. A Review of Some Contributions of the X. Congress of the Federation of the Latinamericanists and Caribbeanists
Igor Yanchuk: The 1931 Elections in Peru According to the Documents from the Comintern Archives
Erik Ching, History Department, Furman University: The Intersection of Local, National and International in the First Communist Parties in Central America, 1925-1935
Diego Frachtenberg, Argentina: The Impact of the Russian Revolution on Argentinian Intellectuals, 1918-1925
Dorothea Melcher, Mérida, Venezuela: The Venezuelan Left and the Comintern
Victor Kheyfetz, Dr. Lazar Kheyfetz, Institute of Latin America, Moscow: The Failure of a Continental Revolution - the First Steps of Mexican Communism, 1919-1922
Lazar Kheyfetz, The Leningrad Region Institute of Economy and Finances, Institute of Latin America, St.-Petersburg: The Comintern in Latin America, Latin America in the Comintern
Gerardo Leibner, Tel Aviv University: The Myth of the World Revolution and the Destruction of the Mariátegui's Project in Peru
Klaus Meschkat, Hannover University, Germany: Revolutionary Socialism in Colombia and the Communist International
Peter Huber, Hannover University, Germany: Jules Humbert-Droz and Latin America
Reiner Tosstorff, Mainz University, Germany: The Red Trade Unions International and Latin America - the First Steps of Latin American Communism
Svetlana Rosenthal, RGASPI, Moscow, Russia: Latin America in the Comintern Archives
Victor Kheyfetz, Institute of Latin America, Moscow: In Search of an Adequate Strategy. Comintern and Soviet Diplomacy in Mexico in the 1920s
Bernhard H. Bayerlein, Mannheim Centre for European Studies, Mannheim University, Germany: A Glimpse of Latin America in the Humbert-Droz- Archives and the Dimitrov-Diaries
Section III
Biographical Studies
Vladimir Vladimirovich Ryskulov, Moscow: Turar Ryskulov's Paths Between Turkestan, Russia and Mongolia
Dainis Karepovs, São Paulo: The Fate of the First Brazilian Brigadist in Spain. A Biographical Note about Alberto Bomilcar Besouchet
C. Chaqueri, Paris: A Triple Gaffe. Throwing a Light on Avetis Sultanzade (Mikhailian), Intellectual, Theoretician and Leading Personality of the Iranian Communist Party
Section IV
Workshop - Projects in Progress
Annette Leo, Berlin: "Wolfgang Steinitz (1905-1967). Jude, Bildungsbürger, Wissenschaftler, Kommunist".
Aurélio Martín Najera, Madrid: Obras Completas de Francisco Largo Caballero
Section V
Reviews and Reports on New Publications
Corinna Kuhr-Korolev, Stefan Plaggenborg, Monica Wellmann (Hg.): Sowjetjugend 1917-1941. Generation zwischen Revolution und Resignation. Von Wolfgang Schlott, Bremen
Todor Kuljic: Tito - A Sociological-Historical Study (Tito - sociološkoistorijska studija). A Review by Avgust Lešnik, Ljubljana
Achim Kilian: Einzuweisen zur völligen Isolierung. NKWD-Speziallager. Von Karl Wilhelm Fricke, Köln
Achim Kilian (1926-2002) - Ein Nachruf von Andreas Eberhardt
Dieter Nelles: Widerstand und internationale Solidarität. Die Internationale Transportarbeiter-Föderation (ITF) im Widerstand gegen den Nationalsozialismus. Von Reiner Tosstorff, Mainz
Pavel Poljan. Ne po svojej vole... Istorija i geografija prinuditel`nych migracij v SSSR [Nicht nach eigenem Willen ... Geschichte und Geografie der Zwangsumsiedlungen in der UdSSR]. Von Wolfgang Schlott, Bremen
Hermann Weber: Damals, als ich Wunderlich hieß. Vom Parteihochschüler zum kritischen Sozialisten. Rundfunkbeitrag von Karl Wilhelm Fricke, Köln. Moderation von Marcus Heumann
Chol-Hwan Kang, zus. mit Pierre Rigoulot: Les Aquariums de Pyongyang. Dix ans au Goulag nord-coréen. Von Klaus-Georg Riegel, Trier
Erwin Könnemann und Gerhard Schulze: Der Kapp-Lüttwitz-Ludendorff- Putsch. Von Hermann Weber, Mannheim
Mary Low & Juan Bréa: Rotes Notizbuch. Deutsche Erstausgabe. Aus dem Englischen übersetzt von Jürgen Schneider
Mirjana Stancic: Manès Sperber. Leben und Werk
Hermann Weber, Bernhard H. Bayerlein (Hg.): Der Thälmann-Skandal. Geheime Korrespondenzen mit Stalin
Section VI
Events of Interest around the World
Section VII
Survey of Periodicals
Section VIII
Links-Links-Links - Interesting Websites
Section IX
Miscellaneous
Mitarbeiterinnen und Mitarbeiter
Jahrbuch für Historische Kommunismusforschung 1993-2002
NOTAS BIOGRÁFICAS - Emília Guerreiro Geraldo Gomes
Secção: Biografias / Vidas(1919 - Lisboa, 19/8/2003)
"Antifascista de longa data", inscrita no PCP logo a seguir ao 25 de Abril.
Avante! 4-9-2003