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junho 24, 2004

BIOGRAFIAS EM PREPARAÇÃO

Secção: Biografias / Vidas

Actualização


Estão em preparação as seguintes biografias de militantes comunistas e da oposição:

Carlos Silva Almeida (Alvaiázere, 1923 – Rio de Janeiro, 2003)

João Grilo de Almeida (Gouveia, 1943 – Seia, Janeiro? 2004)

Virgilio Azevedo (1956 - 2004)

Lino de Carvalho (Leiria, 1946 - 2004)

Abel Mendes Ginja (1923 – 19/12/2003)

Apolinário Gonçalves (Espinho, 1916 - 1/1/2004)

José Lourenço (Ermidas – Santiago do Cacém, 1920 – 17/12/2003)

Fernando Boiça da Silveira Mesquita ( Alcobaça, 1925 - 7/1/2004)

Saul Manuel Oliveira (Vila Franca de Xira, ? – Janeiro 2004)

Hélio Vieira Quartin ( ? - Almada, 25/12/2003

Arnaldo Albano Lourenço Rocha (Santa Iria da Azóia, 1928- 3/1/2004)

Manuel João Martins Sanches (1924 – Canadá, 22/12/2003)

Todas as informações serão bem vindas.

Publicado por José Pacheco Pereira em 04:08 PM | Comentários (1)

MORTE DE JOAQUIM SANTOS SIMÕES

Secção: Biografias / Vidas
Morreu Joaquim Santos Simões uma figura histórica da oposição no Minho. Uma notícia necrológica foi publicada no Publico de 24/6/2004, que se reproduz em anexo. Da sua bibliografia destaca-se Braga. Grito de Liberdade. História Possível de meio século de resistência , Braga, Governo Civil do Distrito de Braga, 1999 e Sete anos de luta contra o fascismo. Academia de Coimbra 1944 – 1951, Guimarães, J. Santos Simões, 2002

Faleceu Joaquim Santos Simões Por VICTOR FERREIRA
Público, 24 de Junho de 2004

Joaquim Santos Simões, presidente da Sociedade Martins Sarmento, uma das mais importantes instituições culturais de Guimarães, faleceu ontem, ao início da tarde, no Hospital de S. José, em Fafe, após ter sofrido uma paragem cardio-respiratória. A morte de Santos Simões, deixou Guimarães de luto, a cidade que, desde 1957, o acolheu e à sua família, depois de ter saído de Coimbra.

Joaquim António dos Santos Simões nasceu a 12 de Agosto de 1923 na vila de Espinhal, concelho de Penela, distrito de Coimbra. Entre 1944 e 1947, já como aluno da Universidade de Coimbra (UC), participou nas movimentações reivindicativas dos estudantes, dedicando-se ainda ao Teatro de Estudantes da UC, onde foi director, encenador e actor. No ano lectivo de 1950/51 acaba por ser eleito presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC) e conclui as suas licenciaturas em Ciências Matemáticas e Engenharia Geográfica. Já então se destacava por aquilo que alguns dos seus colaboradores mais próximos designam como um "profundo sentimento de justiça e intervenção social". Depois de leccionar no ensino particular, em 1957 transita para Guimarães onde se torna professor do ensino público na então Escola Industrial e Comercial de Guimarães.

É nesta cidade que Santos Simões começa a intensificar o seu trabalho ligado à cultura, vindo a iniciar, em 1963, uma actividade política organizada, militando na oposição democrática do distrito de Braga. Paralelamente, notabiliza-se como um dos fundadores do Cineclube de Guimarães e do Teatro de Ensaio Raúl Brandão, ligado ao Círculo de Arte e Recreio, três instituições onde ocupou cargos e desempenhou um papel importante até ontem, dia da sua morte.

Em 1968 foi preso pela PIDE, vindo a ser expulso do ensino devido à sua militância contra o Estado Novo. Um ano mais tarde, participa no II Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro e é candidato da CDE por Braga, na campanha "eleitoral" para a Assembleia Nacional.

No pós-25 de Abril, é reintegrado no ensino oficial, regressando à (ainda) Escola Industrial e Comercial de Guimarães. Na mesma altura, participa activamente na criação do Partido Movimento Democrático Português (MDP/CDE), integrando os órgãos directivos nacionais e sendo um dos responsáveis pelo partido no distrito de Braga e em Guimarães. Chega a ser indicado pelo MDP/CDE para os cargos de governador civil e de Ministro de Educação, mas foi rejeitado por António Spínola "por ser comunista", segundo descrevem as notas biográficas sobre a sua vida que o próprio deixou escritas.

Participou na criação de novas associações culturais em Guimarães, como a cooperativa editorial O Povo de Guimarães, a Cercigui, e em 1990 é eleito presidente da direcção da Sociedade Martins.

Anteontem, Santos Simões faltou pela primeira vez a uma reunião de direcção, consequência do seu estado de saúde fragilizado decorrente da doença renal que o afectou nos últimos quatro anos. Curiosamente, foi neste período que Santos Simões teve ainda força para concretizar alguns dos projectos mais importantes da Sociedade Martins Sarmento, como a construção do Museu de Cultura Castreja, inaugurado em Guimarães o ano passado, ou a criação da Casa de Sarmento, uma unidade cultural dedicada aos estudos históricos.

Para Amaro das Neves, docente da Universidade do Minho - cuja comissão instaladora Santos Simões integrou em 1975 - e seu companheiro de trabalho na Sociedade Martins Sarmento durante os últimos 15 anos, o desaparecimento desta figura é uma "perda irreparável para a democracia portuguesa e para a cultura de Guimarães e do país". A sua morte foi igualmente lamentada pela Câmara de Guimarães, que ontem à tarde divulgou um comunicado.

O corpo de Santos Simões está em câmara ardente nos Passos Perdidos da sede da Sociedade Martins Sarmento, de onde amanhã, pelas 9h00, partirá o cortejo fúnebre rumo ao cemitério do Prado Repouso, no Porto, onde o seu corpo será cremado, conforme era sua vontade.

Publicado por José Pacheco Pereira em 09:53 AM | Comentários (0)

junho 10, 2004

NOTAS SOBRE CIFRAS, SIGLAS, RUBRICAS, ABREVIATURAS, SINAIS DE IDENTIFICAÇÃO E PSEUDÓNIMOS USADOS PELO PCP NA CLANDESTINIDADE – 2- SINAIS DE IDENTIFICAÇÃO DOS MEMBROS DA DIRECÇÃO NOS DOCUMENTOS DE CONTABILIDADE (1957?1958?)

Secção: Bibliografia
Num documento não datado,provavelmente de 1957 ou 1958, intitulado Contas, faz-se um esforço de normalização dos balancetes de contas , definindo regras de uniformização da contabilidade partidária. Nesse documento encontra-se uma lista de sinais de identificação, referidos como “sinais convencionais”, para os membros da direcção do partido, em particular do Secretariado, que tinham uma contabilidade própria.

Amilcar.jpg = Sérgio Vilarigues / "Amílcar"

Freitas.jpg = Jaime Serra / "Freitas"

Gomes.jpg = Joaquim Pires Jorge / "Gomes"

Narc.jpg = "Narc." , "Narciso"?

ramiro.jpg = Júlio Fogaça / "Ramiro"

Publicado por José Pacheco Pereira em 10:45 PM | Comentários (4)

NOTAS SOBRE CIFRAS, SIGLAS, RUBRICAS, ABREVIATURAS, SINAIS DE IDENTIFICAÇÃO E PSEUDÓNIMOS USADOS PELO PCP NA CLANDESTINIDADE – 1- SIGLAS USADAS NA ASSINATURA DE “INFORMAÇÕES” (INÍCIO DOS ANOS SESSENTA)

Secção: Bibliografia


Versão 1.0

As “Informações” dos funcionários do PCP, enviadas ao CC e circuladas entre os funcionários, são uma das fontes mais importantes sobre o quotidiano português dos anos da ditadura ainda por estudar. No seu conjunto, contém uma massa enorme de dados que a censura impedia de chegar aos jornais, incluindo elementos sobre lutas sociais, boatos, prisões, actuação da PIDE, conversas, etc. Eram parte importante do serviço de informações interno do PCP. Estas “informações”, originalmente dispersas e caóticas, conheceram uma primeira normalização desde 1953, com a estabilização de títulos definidos que permitem séries. No final dos anos cinquenta, dá-se uma segunda normalização dos títulos com a criação de séries como “Político”, “Orientação”, “Conspirativo”, “Repressão”; “Guerra colonial”, “Lutas de massas”, etc . A este título de série seguia-se um outro subtítulo detalhado. Exemplos típicos de “informações” são os seguintes:

G., Informações políticas / Reunião dos candidatos em Leiria, 17 Outubro 1961

G., Lutas / - Na Leonesa foram recolhidas assinaturas para pedir que as operárias recebessem subsídio de férias, 10 Setembro 1961

GCA, Informações / Conspirativo / O inspector da PIDE Raul Rosa Porto Duarte foi transferido,Janeiro 1963

SI., Guerra Colonial / Ouvi, ocasionalmente, duas mulheres, com familiares em Angola,27 Setembro 1961

Si., Informações Políticas / Em Castelo de Paiva (distrito de Aveiro) os serviços do Exército, 15-6-1961

GCD, Informações - Conspirativo / Consta que os rádios táxis estão ligados à judiciária, 22 Fevereiro 1963

Embora nem todas fossem datadas, com a generalização do seu uso, passaram a ter data e, nalguns casos, a ter uma sigla ou abreviatura identificando o funcionário seu autor. A lista que se segue inclui um conjunto de abreviaturas e siglas utilizadas entre 1960 e 1965, essencialmente usadas nas “informações”. Exclui outras abreviaturas, normalmente do pseudónimo, utilizadas para documentos internos sem o carácter de “informação”. Esta lista é uma primeira aproximação ao problema da decifração destes documentos, necessariamente muito incompleta, e que será actualizada e corrigida regularmente.

LISTA

AO - ?

Ax. – “Alexandre” - Carlos Lança de Morais

G – Funcionário que controla o sector intelectual do Porto (Norte) ; Fernanda de Paiva Tomás ?

GB – Funcionário que actua nas Beiras em 1963; informações sobre Aveiro, Covilhã, Tramagal, etc.

GCA - Usada em “Informações” conspirativas , em 1962-3

GCB- ?

GCC -Usada em “Informações” conspirativas, em 1963.

GD – “Guedes” - Armando Myre Dores

HB - Rogério de Carvalho

HC - Luis Madeira Rodrigues

HG – Nuno Alvares Pereira

IC - ?

ID - ?

IE - ?

IF - ?

J(b) - ?

JB - ?

JM - “Jaime”

JR - ?

L – “Leiria” - Luis Madeira Rodrigues

MA - ?

MB - ?

MC - ?

Md – “Mendes” - Rogério de Carvalho

MD - ?

MO – “Moreira” – Nuno Alvares Pereira

MR – “Moreira” – Nuno Alvares Pereira

NA - Rogério de Carvalho

NB – Ilídio Esteves

NC - ?

ND - Luis Madeira Rodrigues

NE – Nuno Alvares Pereira

NG - Gaspar Ferreira

NT - Angelo Veloso

OB - ?

OC - ?

Q - ?

R - ?

SI – Funcionário no Porto e no Norte em 1960- sector intelectual e estudantil: mulher ?

TB – Funcionário que actua no Norte em 1961; informações do sector operário, e dos pescadores do Porto.

Um - ?

Publicado por José Pacheco Pereira em 06:28 PM | Comentários (0)

junho 06, 2004

NOVOS LIVROS SOBRE A HISTÓRIA DO RADICALISMO E DA EXTREMA-ESQUERDA

Secção:

Varon.jpg kurlansky.jpg


Foram publicados recentemente mais dois estudos sobre os movimentos radicais da extrema-esquerda e os eventos de 1968 numa perspectiva internacional. O livro de Mark Kurlansky, 1968: The Year That Rocked the World, Londres, Jonathan Cape, 2004 centra-se no ano seminal de 1968, visto num ciclo que vai desde a invasão da Checoslováquia à queda de Nixon. Mais focado no estudo do radicalismo violento e nos grupos armados , é o livro de Jeremy Varon, Bringing the War Home. The Weather Underground, the Red Army Faction, and Revolutionary Violence in the Sixties and Seventies, Berkeley, University of California Press, 2004.

Publicado por José Pacheco Pereira em 10:48 AM | Comentários (0)