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dezembro 31, 2004

BIBLIOGRAFIA SOBRE O PCP E A OPOSIÇÃO - 2004

Secção: Bibliografia
Actualização

A Bibliografia de 2004 está a encerrar. Agradecem-se todas as indicações de omissões.


* «As greves de 8 e 9 de Maio de 1944 - Por aí passou o que hoje somos», O Militante, 270, Maio/Junho 2004

[Artigo da redacção de O Militante com a colaboração do GES, seguindo-se a transcrição do artigo publicado em O Militante, nº 29, Maio de 1944]

* Ilda Soares de Abreu, "Isabel do Carmo" [Entrevista], Faces de Eva, 12, 2004


* Afonso de Albuquerque, "A Medicina traída", Público, 17/4/2004

[Sobre os médicos da PIDE.]

* Manuel Alegre, Rafael, Lisboa, Dom Quixote, 2004

[Obra de ficção autobiográfica sobre a clandestinidade e o exílio.]

*António Almeida, "Peniche - a Frustração de Uma Visita pela Nossa História", Público, 10/5/2004

* J. Almeida / A. Machiavelo, José Morgado: in memoriam, (2004)

*São José Almeida, "Libertado pela PIDE para Morrer ", Público, 6 de Março de 2004

[Depoimento de Albertina Diogo sobre a morte de Guilherma da Costa Carvalho.]

*São José Almeida, "PCP, 83 Anos ", Público, 6 e 7 de Março de 2004

[Depoimento autobiográfico de Albertina Diogo.]

*São José Almeida, "Como membro do PCP não pretendo prestar quaisquer declarações" , Público, 3/4/2004

[Entrevista a Teresa Dias Coelho.]

*São José Almeida, "O rádio está avariado", Público, 18/4/2004

[Depoimento de Francisco Martins Rodrigues sobre a sua prisão.]

*São José Almeida, "A história e as estórias de Maria Isabel Hahnemann Saavedra de Aboim Inglez", Público, 26 e 27/12/2004

*São José Almeida, "Cartas manifesto de mulheres na prisão de Caxias", Público, 20/11/2004

[Cartas enviadas por um grupo de mulheres presas em 1961.]

* Álvaro Guerra . Exposição Razões e Liberdade, Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, 2004


*Armando Guebuza - Um Pouco de Si. Fotobiografia, Porto, Texto Editora, 2004

*Rosa Asneiros, Resistência, Lisboa, Dom Quixote, 2004

[Obra de ficção sobre a resistência comunista com referências a Álvaro Cunhal e Dinis Miranda]

*Maria João Avillez, Conversas com Álvaro Cunhal e Outras Lembranças, Lisboa, Temas e Debates, 2004

*Ana Barradas, As clandestinas, Lisboa, Ela por Ela, 2004

*Manuela Bernardino, «Fascismo nunca mais», O Militante, 270, Maio/Junho 2004

*Isabel Braga, Entrevista a Irene Pimentel, Público, 2/4/2004

[Conclusões do trabalho de investigação sobre a PIDE.]

*Isabel Braga, "Aprendizes do trabalho sujo do regime", Público, 1/4/2004

[Sobre a preparação dos agentes da PIDE.]

* António Caeiro, "A peregrinação vermelha", Expresso, 27/3/2004

[Elementos sobre os maoistas portugueses.]

* Gustavo Carneiro / Isabel Araújo Branco, "Um luta de 48 anos contra o fascismo. A heróica resistência", Avante!, 8/4/2004

[Entrevista com José Vitoriano.]

* Ana Margarida de Carvalho, "Amanhãs que (ainda) cantam", Visão, 8/4/2004

[Sobre a adaptação televisiva de um livro de Cunhal]


* Mário de Carvalho, "Autobiografia. Outrora agoras", Jornal de Letras, 15/9/2004

* Centenário do Nascimento de Armindo Rodrigues 1904-2004. "Voz Arremessada ao Caminho", Museu do Neo-Realismo, 2004


* CIDAC, A Cor das Solidariedades pela Justiça e Equidade nas Relações Internacionais. 30 Anos do CIDAC, Lisboa, CIDAC, 2004

* João Bénard da Costa, "Os 80 anos de Mário Soares", Público, 3/12/2004

*Orlando da Costa, Vocações Evocações, Lisboa, Caminho, 2004

*Nuno Crato, "Um físico discreto", Expresso, 21/2/2004

[Sobre Manuel Valadares, cientista e militante comunista.]

*José Craveirinha, Poemas da Prisão, Porto, Texto Editora, 2004

* Sílvia Souto Cunha, "O revolucionário discreto", Visão, 17/6/2004

[Sobre Nuno Teotónio Pereira,arquitecto, oposicionista, fundador de Direito à Informação (1963-9), participante na acção da Capela do Rato e preso político libertado em 25 de Abril.]

* Marta Curto, "Teatro a seis tempos", Público, 28/9/2004

[Sobre teatro e censura.]

* Da Resistência à Liberdade em Vila Franca de Xira, Museu Municipal de Vila Franca de Xira, 2004


* José Fanha (Org.), De Palavra em Punho. Antologia da Resistência de Fernando Pessoa ao 25 de Abril, Porto, Campo das Letras, 2004

*Fernando Piteira Santos - Português, Cidadão do Século XX, 2004

*Eugénio Monteiro Ferreira (Introdução e notas), Cartas de Maria Lamas, Porto, Companhia das Letras, 2004

*Manuel de Pinho Ferreira, A Igreja e o Estado Novo na Obra de D. António Ferreira Gomes, Porto, Fundação SPES, 2004

* Maria Antónia Fiadeiro, "Maria Antónia Palla, feminista e jornalista (Notas para uma biografia)", Faces de Eva, 12, 2004


* José Farinha. Galeria de Exposições da Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira, 2004


* Juventude Socialista, Juventude Socialista. 30 Anos de Estórias de Portugal e do Mundo, 2004

* Paulo Lima, O Fado Operário no Alentejo. Séculos XIX-XX. O Contexto do Profanista Manuel José Santinhos, Sons da Tradição, 2004

* Filipa Sousa Lopes, Movimentos da Oposição em Famalicão (Dos finais da década de vinte aos anos cinquenta), Famalicão, Editoraausencia, 2004

* João Madeira, "A morte e o mito nos campos do Sul", História, 66, Maio 2004

[Sobre Catarina Eufémia.]

* João Madeira, "Bolchevização, funcionários clandestinos e identidade no PCP", Revista de História das Ideias, Vol. 25, 2004

* Teresa Martins Marques, "Camila Miguéis, Cem anos. Uma testemunha do século", Jornal de Letras, 21/1/2004

* Dalila Cabrita Mateus, A PIDE/DGS na Guerra Colonial 1961-1974, Lisboa, Terramar, 2004

*António Melo, "Morreu Ângela Vidal - Uma rebelde com causas", Público, 16/3/2004

*António Melo, "O "Império" das Publicações Europa-América". Público, 14/4/2004

*António Melo, "O adeus de Lyon de Castro, o "pequeno grande homem" das Publicações Europa-América". Público, 14/4/2004

* António Melo, "Emídio Guerreiro." (Entrevista), Público, 5/9/2004

*João Mesquita, "O comunista íntimo", Grande Reportagem, 20/11/2004

[Sobre Fernando Piteira Santos.]


* Armando Morais, "O trabalho do PCP para a Revolução", O Militante, 269, Março Abril 2004

*Maria da Piedade Morgadinho, «A Conferência de Abril há 75 anos - Reorganização para a clandestinidade», O Militante, nº270, Maio/Junho 2004

* António Modesto Navarro, Prisão e Isolamento em Caxias, Lisboa, Editorial Avante!, 2004

* José Neves, «A Imaginação da Nação na Historiografia Comunista Portuguesa», Ler História, 46, 2004

* Nuno San-Payo, Galeria de Exposições da Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira, 2004


*Maria José Oliveira, "O meu pai foi toda a vida um lutador", Público, 9/5/2004

[Recordações autobiográficas de Luisa Irene Dias Amado, incluindo uma memória de seu pai Luis Dias Amado.]

*José Pacheco Pereira, "Lyon de Castro, Piteira Santos, o "Ler" e o PCP", Público, 15/4/2004; 22/4/2004

*Manuel Pedro, Sonhos de Poeta, Vida de Revolucionário, Lisboa, Edições Avante, 2004

* "A perda dos nossos colegas: J. Morgado e P. Abrantes", Gazeta da Matemática, 146, Janeiro 2004

[Depoimentos sobre a vida e obra de José Morgado.]

* Micael Pereira, "Como sobrevivi à tortura do sono", Sábado, 30/7/2004

[Testemunho de Crisóstomo Teixeira, preso em 1964.]

*Pomar Autobiografia, Lisboa, Assírio e Alvim, 2004

*Pomar XVI Desenhos Com um Texto de Mário Dionísio + Desenhos da Prisão e Outros Inéditos, Artemágica, 2004

* Alexandre Pomar, com a colaboração de Natália Vital e de Rosa Pomar, Júlio Pomar - Catalogue raisonné I (1942-1968), Paris, Editions de la Difference, 2004

*Luiz Francisco Rebello, O Passado na Minha Frente, Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 2004

*Recordando José Rabaça 1926-1998, Edeline, 2004

*Miguel Urbano Rodrigues, O Tempo e o espaço em que Vivi. II - Revolução e Contra-Revolução na América Latina, Porto, Campo das Letras, 2004

*Fernando Rosas, Portugal no Século XX (1890-1976)- Pensamento e Acção Política, Editorial Notícias, 2004

*Fernando Rosas / Pedro Aires Oliveira (Coordenação), A Transição Falhada. O Marcelismo e o fim do Estado Novo (1968-1974), Lisboa, Editorial Notícias, 2004

[Incluí um estudo de João Madeira sobre as "Oposições de esquerda e a extrema-esquerda". ]

*Fernando Vieira de Sá, Cartas na Mesa. Recordando Bento de Jesus Caraça e a «Biblioteca Cosmos», Almada. Moinho de Papel, 2004

*António José Saraiva, Crónicas, Lisboa, Quidnovi, 2004


* Andreia Sanches, “Filhos de clandestinos portugueses na URSS”, Pública, 8/8/2004

*José Augusto Seabra, De Exílio em Exílio I - Resistências e Errâncias (1953-1963), Porto, Folio Edições, 2004

* Torcato Sepúlveda, "O padre que enfrentou Salazar", Grande Reportagem, 14/8/2004

[Sobre o padre Abel Varzim.]

*Maria Augusta Silva, "O homem que editou "escritores malditos", Diário de Notícias, 12/4/2004

[Sobre Francisco Lyon de Castro.]

* Casimiro Simões, "Da serra da Lousã à Serra Maestra", Grande Reportagem, 21/8/2004

[Biografia de Adelino Mendes, participante na revolta dos marinheiros de 1936, exilado, e depois activo na revolução cubana.]

* Armando Teixeira, "Greve da CUF do Barreiro em 1943 - "A paralização de braços caídos", Jornal do Barreiro, 27/2/2004

* Clara Teixeira, "O jogo de futebol que enganou a censura", Público, 18/3/2004

[Sobre a utilização de um relato de futebol para dar a conhecer a rendição dos militares das Caldas da Rainha.]

* Margarida Tengarrinha, Quadros da Memória, Lisboa, Edições Avante¸2004.

* Clara Viana, "Felizmente, não tomamos o poder", Público, 5/8/2004

[Sobre o MRPP.]

* Sérgio Vilarigues, "Ida para Angra", Alentejo Popular, 4/3/2004

* Sérgio Vilarigues, "Um homem feliz em luta" (Entrevista) , Avante!, 23/12/2004

Publicado por José Pacheco Pereira em 12:17 PM | Comentários (13)

MORTE DE FERNANDO BREDERODE DOS SANTOS (1940-2004)

Secção: Biografias / Vidas


Fernando Brederode foi militante da FAP, preso político em Caxias. Jornalista do extinto Diário de Lisboa, ganhou vários premios pelas suas crónicas. Sobre ele escreveu Rodrigues da Silva uma memória pessoal no Jornal das Letras de 29/10- 9/11/2004

Publicado por José Pacheco Pereira em 11:03 AM | Comentários (0)

MORTE DE JOAQUIM CALDEIRA RODRIGUES (1925-2004)

Secção: Biografias / Vidas


Morreu Joaquim Caldeira Rodrigues, militante do MUDJ e dos "movimentos da Paz", preso político e , em vésperas do 25 de Abril , militante do MDP.

Junto se transcreve uma biografia publicada no Público, de 31 de Dezembro de 2004, de autoria de São José Almeida:

Caldeira Rodrigues, Um Engenheiro da liberdade
Por SÃO JOSÉ ALMEIDA

Joaquim Ângelo Caldeira Rodrigues, engenheiro, oposicionista ao fascismo e primeiro presidente da Câmara de Lisboa, recebe hoje uma última homenagem, às 11 horas, no Centro Funerário Santa Joana Princesa, em Lisboa, seguindo o corpo para Torres Vedras. Caldeira Rodrigues, falecido anteontem, na sequência de cancro, é pai de Maria João Rodrigues, catedrática do ISCTE, ministro do Emprego no primeiro Governo de Guterres, responsável pela elaboração da Estratégia de Lisboa e consultora do ex-presidente da Comissão Europeia.

Prestigiado activista da oposição à ditadura, Caldeira Rodrigues nasceu a 6 de Dezembro de 1925, em Torres Vedras. Revelando capacidades de activismo cívico desde cedo, concluiu o ensino secundário já em Lisboa, no Liceu Camões, tirando 20 a matemática. Ingressa no Instituto Superior Técnico, em 1942, onde desenvolve o seu pendor activista no movimento associativo. Em 1950, licenciou-se em Engenharia Civil, especializando-se em planeamento e estruturas hidráulicas, dando início à sua preparação numa área onde viria a notabilizar-se.

Uma carreira que é brindada em 1989/90 com o cargo de director da Associação Portuguesa de Projectistas e Consultores e com a sua presidência entre 1991-93. A sua carreira desenvolveu-se internacionalmente, sobretudo depois de, em 1962, ser um dos sócios fundadores da COBA - Consultores para Obras, Barragens e Planeamento, S.A., de que foi primeiro director e, depois, administrador. Este patamar de prestígio profissional foi atingido depois de ter integrado a Hidrotécnica Portuguesa no Serviço de Estruturas e a Companhia das Águas de Lisboa.

Entre as obras públicas da sua responsabilidade destacam-se várias barragens, projectos de aproveitamento hidroeléctricos, hidroagrícola e hidroenergético em Portugal, Brasil, Moçambique, Costa Rica, Grécia e Espanha, os circuitos hidráulicos de refrigeração da Central do Carregado e da Central Térmica de Setúbal, o plano geral de abastecimento de água à Região de Lisboa, o estudo de caracterização do sistema actual de exploração da EPAL.

Foi precisamente o seu prestígio como engenheiro ligado às obras públicas, para além da sua militância em prole da democracia e da liberdade, que estiveram na origem do convite que lhe foi dirigido, em Agosto de 1974, para presidir à comissão administrativa da Câmara Municipal de Lisboa, presidência que exerce até meados de Novembro de 1975 (ver caixa).

Caldeira Rodrigues, então militante do MDP, era também um conhecido oposicionista ao fascismo com créditos firmado logo em 1942 com a sua adesão ao MUNAF (Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista). Mas é no MUD Juvenil (Movimento de Unidade Democrática), a que adere em 1947 e cuja comissão central integra, que Caldeira Rodrigues se distingue. Tal como no Movimento para a Paz, em 1950, liderado por Maria Lamas e Manuel Valadares.

As suas actividades contra a ditadura levaram-no por duas vezes à prisão política. A primeira prisão, em Caxias, dá-se em 1947, na sequência da Semana da Juventude, que leva à cadeia toda a comissão central do MUD Juvenil. A segunda prisão, surge em 1951. Caldeira Rodrigues encontra-se entre a cerca de meia centena de activistas que esperavam Maria Lamas no aeroporto de Lisboa. Aliás, Caldeira Rodrigues envolveu-se de tal forma nos movimentos pela paz do pós-guerra que decidiu ir com a mulher ao Congresso da Paz, em Estocolmo, onde conheceu então figuras de quem ficaria amigo, como Jorge Amado.

Publicado por José Pacheco Pereira em 10:47 AM | Comentários (0)

dezembro 09, 2004

Secção: Bibliografia

BIBLIOFILIA - RETRATO DE UMA AVENTURA INTELECTUAL A DOIS

Leonor Curado Neves (Edição), António José Saraiva e Óscar Lopes: Correspondência , Lisboa, Gradiva, 2004

Este é um grande livro, uma obra ímpar no meio das centenas de inutilidades que se publicam todos os meses. Dois amigos para a vida toda, que começam o seu trabalho intelectual na patrulha ortodoxa da dissidência na Vértice dos anos cinquenta, contra Mário Dionísio e Cochofel (veja-se o meu artigo sobre Lyon de Castro), escrevendo a História da Literatura Portuguesa a duas mãos e depois trocando cartas num diálogo intelectual sem par no século XX. Saraiva foi-se afastando do marxismo e saiu do PCP, Lopes ficou fiel ao PCP, mas ambos discutem o trajecto político e ideológico do seu tempo, à medida que acontece o Maio de 68, e a crise da URSS, ao mesmo tempo que toda a história da cultura portuguesa, Camões, Fernão Lopes, Bernardim, Oliveira Martins, Pessoa, Agustina, tudo. Acontecimentos como esta correspondência, são únicas na nossa vida intelectual.

Publicado por José Pacheco Pereira em 04:55 PM | Comentários (1)