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fevereiro 10, 2005

BIOGRAFIAS EM PREPARAÇÃO (Actualização)

Secção: Biografias / Vidas

Actualização

Estão em preparação as seguintes biografias de militantes comunistas e da oposição:

Carlos Silva Almeida (Alvaiázere, 1923 – Rio de Janeiro, 2003)

João Grilo de Almeida (Gouveia, 1943 – Seia, Janeiro? 2004)

Osvaldo Azenha (1924- Barreiro, 18/11/2004)

Virgílio Azevedo (1956 - 2004)

João Pedro Capão (1923 – Torres Vedras, 11/12/2004)

António Joaquim de Campos (1924 – Albufeira, 31/7/2004)

Lino de Carvalho (Leiria, 1946 - 2004)

António Teixeira da Silva e Castro (Fafe, 15/1/1928 - 22/8/2004)

Aníbal de Figueiredo (Alcochete, 1926 - 23/11/2004)

Abel Mendes Ginja (1923 – 19/12/2003)

Apolinário Gonçalves (Espinho, 1916 - 1/1/2004)

Armindo do Amaral Guimarães (? – Dezembro 2004)

José Brites de Jesus. (1920 – Vila Franca de Xira, 11/12/2004)

António Domingues Jubileu (Marinha Grande, 1907 - 24/9/2004)

Orlando Simões Lopes (1930 – Julho-2004)

João Domingos Loureiro (1917 - Amora, 28/8/2004)

José Lourenço (Ermidas – Santiago do Cacém, 1920 – 17/12/2003)

Fernando Boiça da Silveira Mesquita (Alcobaça, 1925 - 7/1/2004)

Orlando Neves (Portalegre 11/9/1935- 24/1/2005)

Saúl Manuel Oliveira (Vila Franca de Xira,? – Janeiro 2004)

Antonio Páscoa (1912 – Venda Nova, 12/11/2004)

Hélio Vieira Quartin (Lisboa, 21/11/1916 - Almada, 25/12/2003)

Arnaldo Albano Lourenço Rocha (Santa Iria da Azóia, 1928- 3/1/2004)

Manuel João Martins Sanches (1924 – Canadá, 22/12/2003)

José Expedito dos Santos (1936 – Brasil, Dezembro, 2004)

João Cunha Serra (1919- 18/1/2005)


Todas as informações serão bem vindas.

Publicado por José Pacheco Pereira em 11:29 AM | Comentários (2)

NOVO NÚMERO DE COMMUNIST HISTORY NETWORK NEWSLETTER

Secção: Bibliografia

Indíce de Communist History Network Newsletter, Issue 17, Autumn 2004

Editors' introduction

Announcements

British Communists in the DNB

New 'Communist Lives' series

Sally Belfrage papers

Socialist History Journal website

Research Notes

Women in the early CPGB: sources in the Bodleian Library', Matthew Worley

Thesis Reports
'The Communist Party of the United States and the Communist International, 1919-1929', Jacob A Zumoff

'The Politics of Working Class Communism in Greece, 1918-1936', Anastasis Ghikas

'West European Communism, Proletarian Internationalism and the Czechoslovak Crisis of 1968-1969: A Comparative Study of the Italian and French Communist Parties', Maud Bracke

'"The Past is Ours": The Political Usage of English History by the British Communist Party, and the Role of Dona Torr in the Creation of its Historians' Group, 1930-56', Antony Howe

Features

'Aksel Larsen and the CIA', Steve Parsons

'A House on Chausseestrasse', Archie Potts

Publicado por José Pacheco Pereira em 11:24 AM | Comentários (0)

FOTOS DE REVOLUCIONÁRIOS DO 18 DE JANEIRO DE 1934

Secção: Biografias / Vidas

josesoares.jpg

José Soares na prisão do Forte da Trafaria.

Publicado por José Pacheco Pereira em 11:19 AM | Comentários (1)

fevereiro 08, 2005

NOVO NÚMERO DE AMERICAN COMMUNIST HISTORY

Secção: Bibliografia

Foi publicado mais um número da revista American Communist History, cujo indíce a seguir se reproduz:

King, William F. "Neoconservatives and 'Trotskyism.'" _American Communist History_ 3, no. 2 (December 2004).

Lichtenstein, Alex. "In the Shade of the Lenin Oak: 'Colonel' Raymond Robins, Senator Claude Pepper, and the Cold War." _American Communist History_ 3, no. 2 (December 2004).

Nash, Michael. "Communist History at the Tamiment Library." _American Communist History_ 3, no. 2 (December 2004).

Schmidt, Mária. "Noel Field -- The American Communist at the Center of Stalin's East European Purge: From the Hungarian Archives." _American Communist History_ 3, no. 2 (December 2004).

Reviews in _American Communist History_, vol. 3, #2 December 2004

Berghahn, Volker Rolf. _America and the Intellectual Cold Wars in Europe:
Shepard Stone Between Philanthropy, Academy, and Diplomacy_. Princeton, N.J.:
Princeton University Press, 2001. Reviewed by Petra Goedde.

Cohen, Ronald D. _Rainbow Quest: The Folk Music Revival and American Society, 1940-1970_. Amherst: University of Massachusetts Press, 2002. Reviewed by Barbara L. Tischer.

Doherty, Thomas Patrick. _Cold War, Cool Medium: Television, McCarthyism, and American Culture_. Film and Culture. New York: Columbia University Press, 2003. Reviewed by Richard M. Fried

Engerman, David C. _Modernization from the Other Shore: American Intellectuals and the Romance of Russian Development_. Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 2003. Reviewed by Walter Hixson.

Hirsch, Jerrold. _Portrait of America: A Cultural History of the Federal Writers’ Project_. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 2003.
Reviewed by Catherine A. Stewart

Horton, Myles. _The Myles Horton Reader: Education for Social Change_. Edited by Dale Jacobs. Knoxville: University of Tennessee Press, 2003. Reviewed by James Smethurst

Johnson, David K. _The Lavender Scare: The Cold War Persecution of Gays and Lesbians in the Federal Government_. Chicago: University of Chicago Press, 2004. Reviewed by Ellen Schrecker.

Pfannestiel, Todd J. _Rethinking the Red Scare: The Lusk Committee and New York’s Crusade Against Radicalism, 1919-1923_. New York: Routledge, 2003.
Reviewed by M. J. Heale.

Silber, Irwin. _Press Box Red: The Story of Lester Rodney, the Communist Who Helped Break the Color Line in American Sports_. Philadelphia: Temple University Press, 2003. Reviewed by Joseph Dorinson.

Woods, Jeff. _Black Struggle, Red Scare: Segregation and Anti-Communism in the South, 1948-1968_. Baton Rouge: Louisiana State University, 2004. Reviewed by Bonnie Stepenoff.

Publicado por José Pacheco Pereira em 10:22 PM | Comentários (0)

UM LIVRO ESPECIAL

Secção: Biografias / Vidas

Um livro que me foi oferecido tem um significado muito especial. O livro, completamente esquecido, de A. Ferreira Soares, Casa Abatida, reeditado pela Guimarães nos anos cinquenta (?), tem uma dedicatória "à memória do meu filho o médico A. Carlos Ferreira Soares". Não é comum um pai dedicar um livro a um seu filho adulto, nem que este o seja à "memória", ou seja a um morto. Mas António Carlos Ferreira Soares não morreu de morte natural, mas sim assassinado pela PIDE em Julho de 1942.

Com o mesmo amigo que me ofereceu o livro, visitei há muitos anos, antes do 25 de Abril, a sua casa em Nogueira da Regedoura, onde foi morto com uma rajada de metralhadora, uma casa baixa,pouco visível, modesta, onde se mantinha um armário com os seus livros, e onde falei com familiares que o tinham conhecido bem. Um livro especial.

Publicado por José Pacheco Pereira em 07:35 PM | Comentários (0)

fevereiro 06, 2005

PARA A HISTÓRIA DO 18 DE JANEIRO

Secção: Repressão

MUHERESMGARNDE.jpg

Mulheres dos presos do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande a pedir a libertação dos seus familiares junto do Governo Civil de Leiria.

Publicado por José Pacheco Pereira em 10:48 PM | Comentários (0)

fevereiro 05, 2005

SÉRIE TELEVISIVA BASEADA NO LIVRO "ATÉ AMANHÃ CAMARADAS" DE ÁLVARO CUNHAL

Secção: Vários

Passou na SIC,no mês de Janeiro de 2005, a série televisiva "Até Amanhã, Camaradas" realizada por Joaquim Leitão.

No jornal Público de 28 de Janeiro Carlos Câmara Lemos e Miguel Madeira entrevistam o realizador sobre o filme e a colaboração de Álvaro Cunhal na sua feitura. Em anexo reproduzem-se quatro testemunhos de clandestinos ( Carlos Costa, Francisco Melo, Joaquim Gomes e Sofia Ferreira) sobre a série.

"Até Amanhã, Camaradas" Vista por Joaquim Leitão: "A Série Está ao Nível do Melhor Que Se Faz na Europa"
Por CARLOS CÂMARA LEME (TEXTO) E MIGUEL MADEIRA (FOTO)
Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2005

"Até Amanhã, Camaradas", a série a partir da obra de Manuel Tiago, pseudónimo de Álvaro Cunhal, é uma aposta de Tino Navarro. É a maior série de televisão portuguesa de sempre. O produtor da MGN optou por uma série de seis episódios de 50 minutos, num total de 300 minutos, devido à complexidade do romance que envolve 140 personagens. Numa primeira fase, a série, filmada em película, esteve nas mãos do realizador Luís Filipe Rocha, autor do argumento, mas o produtor acabou por entregar o projecto a Joaquim Leitão. O realizador de "Adão e Eva", "Inferno" ou "Tentação" leu o romance "três, quatro vezes" e encontrou-se com Álvaro Cunhal. Hoje e amanhã a SIC vai transmitir os seis episódios da série, às 23h15 e 22h30, três em cada dia.

PÚBLICO - Quando agarrou este projecto já tinha um argumento escrito pelo realizador Luís Filipe Rocha. Isso criou-lhe obstáculos à realização da série ou não?
JOAQUIM LEITÃO - Quando aceitei fazer a série já foi no pressuposto que havia uma janela temporal possível para realizar o projecto. Mesmo que quisesse fazer alterações era impossível. Por isso segui o argumento até porque conhecia bastante bem o livro. O guião respeitava o livro no fundamental, estava perante um bom argumento.

P. - Mas não teve receio nenhum?
R. - Não, foi uma decisão ponderada, não tomei a decisão de ânimo leve nem quanto a aceitar o argumento nem quanto às condições de produção - que eu queria ter a certeza que as teria para fazer a série tal como imaginava. Mas é evidente que sou eu a realizar, e parte de mim está ali na maneira como concebo a vida e o cinema.

P. - Quantas vezes é que leu "Até Amanhã Camaradas"?
R. - Umas três, quatro vezes. Primeiro por curiosidade, depois porque à semelhança de outras pessoas li-o com a ideia de um dia talvez adaptá-lo e desde que me meti neste projecto, já com outros olhos, li-o com uma atenção aos detalhes, às pequenas coisas...

P. - Quantas vezes falou com Álvaro Cunhal sobre o que estava a fazer?
R. - Falei duas vezes por telefone e estive com ele uma vez, pessoalmente.

P. - Em que medida essas conversas foram úteis para si? Ele deu-lhe algumas indicações? Discutiram muito?
R. - Não. As conversas com ele foram muito práticas. Havia certo detalhes sobre as quais eu tinha dúvidas...

P. -... por exemplo?
R. - Logo no princípio havia uma cena em que o Vaz passava por diversos sítios e que, em certa altura, encontrava-se com uma pessoa a quem só dizia uma palavra, cujo significado eu não compreendia. Depois da conversa com Álvaro Cunhal percebi que, para que aquilo se tornasse claro, tinha que fazer muito mais coisas que ninguém, a não ser um círculo muito restrito de pessoas, é que perceberia. E ele sugeriu-me que era melhor não pôr.

P. - Foi fácil a conversa com ele?
R. - Foi, foi... E com todas com todas as pessoas ligadas ao partido. Não tenho razões de queixa: tudo o que perguntei foi-me respondido com a maior das franquezas até para captar o sentimento que as pessoas tinham na altura. Para mim, o essencial disto em termos emocionais era fazer uma opção: ou se fazia uma coisa muito sofrida ou então uma coisa que era a ideia que eu tinha - a vida daquelas pessoas era difícil, dura, mas era uma vida entusiasmante.

P. - Perdura um mistério quanto ao livro ou melhor quanto a uma personagem do livro. O Vaz, o homem da bicicleta, é o próprio Álvaro Cunhal ou não? O escritor Urbano Tavares Rodrigues disse que era uma mistura de Vaz e Ramos...
R. - A essa questão, não posso responder e nem eu sequer a pus nunca até porque isso só me condicionava... Se isso não é evidente da leitura do livro porquê forçar essa via? O que toda a gente me dizia é que as personagens são inspiradas em combinações de várias pessoas. É óbvio que a primeira intuição é ligar o Vaz a Álvaro Cunhal, mas isso é pegar nas coisas muito pela rama...

P. -... e não só a um herói, é um livro muito coral...
R. - Exactamente! Há personagens que vão ganhando força e presença num determinado momento, outras aparecem outras. A única pessoa que podia responder ao mistério era Álvaro Cunhal, mas é uma coisa que não tem grande interesse.

P. - Quais foram os momentos mais difíceis de dar? Os intimistas, as reuniões clandestinas, os encontros, a escolha das paisagens, ou, por exemplo a greve que exige uma maior movimentação mas também mais cuidados para não se cair no fácil?
R. - Havia duas coisas que a leitura do argumento punha como dificuldades: uma é que há muitas reuniões de clandestinidade em que em que as pessoas falam numa linguagem cifrada - e os actores ultrapassaram esse problema com paixão - enquanto que, na questão da greve, a dificuldade era reconstituir um entusiasmo que não é muito bem controlado por cada um de nós. E acho que se conseguiu fazer passar bem para o espectador as duas coisas.

P. - À escala portuguesa, esta é a maior série de sempre. Acha que pode ser uma mudança no audiovisual português ou é apenas um caso isolado?
R. - Também não sei responder a essa pergunta. Só espero que não seja um caso isolado mas um exemplo para que apareceram mais séries feitas por outros realizadores. Mas acho que esta série se for passada daqui a dez anos continuará a funcionar, independentemente da opinião que se tenha dela. Esta série está ao nível do melhor que se faz na produção europeia.

P. - O facto da série ir para o ar em plena campanha eleitoral não terá consequências políticas ao nível no voto no PCP?
R. - É outra pergunta que não sei responder. Até porque a decisão de passar nesta altura não foi minha. O que não dizer que não haja um lado empolgante desta série que tem a ver com a luta do PCP. Agora se isso passará para a actualidade não sei. Veremos... [risos]


Quatro Testemunhos
Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2005

Estão umbilicalmente ligados à clandestinidade e viveram de perto algumas das situações descritas em "Até Amanhã Camaradas" (ed. Avante!). Visionaram a série e deram os seus testemunhos ao PÚBLICO.

Carlos Costa

Militante do PCP, participou na fuga de Peniche e esteve na clandestinidade, 76 anos

O livro reflecte de uma forma muito especial a história do país e até a derrota que se estava a reflectir na Europa do Nazismo pelo Exército Vermelho. A série apanha muito bem essa atmosfera. É muito rigorosa e cuidadosa, em particular no olhar que dá do esforço físico e moral dos funcionários clandestinos do partido. Os problemas que o livro podia pôr - sobretudo os pormenores de síntese - são bem ultrapassados. Quanto à vida na clandestinidade e o ar de chumbo que se vivia então é, também, muito bem dado. A escolha dos sítios deve igualmente ter dado um trabalho monstruoso - encontrar uma fábrica de juta, ainda a funcionar, é uma coisa magnífica.

Francisco Melo

Primeiro editor de "Até Amanhã Camaradas" (Edições Avante!), militante do PCP desde 1963, 60 anos

Como editor penso que a adaptação de "Até Amanhã Camaradas", obra publicada em finais de 1974, segue com fidelidade o argumento e os diálogos devidos a Luís Filipe Rocha com aprovação do autor do romance. Não ignorando a especificidade das linguagens literária e fílmico-televisiva, a minha opinião é que o realizador Joaquim leitão e a sua equipa souberam utilizar de maneira criativa esta última para nos darem uma nova obra de arte que não trai, muito pelo contrário, as características essenciais daquela que lhe deu origem. E isto aplica-se à reconstituição quer política quer humana dos personagens desta gesta histórica dos comunistas portugueses de meados dos anos 40 do século XIX.

Joaquim Gomes

Militante do PCP desde 1932, esteve na clandestinidade desde 1953 até ao 25 de Abril, 87 anos

Quem viveu na clandestinidade, quem esteve preso nas prisões fascistas, quem participou ou dirigiu lutas por melhores condições de vida dos trabalhadores ou dos camponeses, a série surpreendeu-me pelo realismo que dá. As lutas do Ribatejo, descritas na série, são dadas de uma forma fantástica. Não ficando tudo elucidado do que foi o fascismo, a série dá bem o que era a repressão da polícia política mas também a luta do PCP durante todo o tempo em que fascismo existiu.

Sofia Ferreira

Militante do PCP, desde 1944, e na clandestinidade desde 1946 (eleita para o Comité Central em 1957) 82 anos

Não sendo uma personagem parte do romance, é um período muito difícil para o partido. A vida dos funcionários, os seus meios de transporte eram adequados àquela época até porque os meios financeiros eram poucos. O ambiente de conjunto está bem dado pelas reuniões de clandestinidade, pelas relações entre os funcionários e os comités locais. O filme para mim está muito fiel num aspecto, que é o espírito de sacrifício dos camaradas - o Vaz punha até em segundo lugar o seu estado de saúde pelas actividades do partido. Gostei muito da série e sobretudo como é dada a parte repressiva das prisões, o comportamento dos quadros, uns mais duros outros mais fracos, como da reorganização depois da greve. Apreciei, também, muito o papel das mulheres.

Publicado por José Pacheco Pereira em 11:57 PM | Comentários (3)

MORTE DE MANUEL FIRMO, SINDICALISTA, ANARQUISTA E ESPERANTISTA

Secção: Biografias / Vidas

Manuel firmo.jpg
Transcrevo do Jornal do Barreiro a notícia da morte em Barcelona de Manuel Firmo (1909-2005)

Faleceu Manuel Firmo (1909-2005)
Figura de barreirense ímpar

Jornal do Barreiro | 03-02-2005
Com 95 anos, faleceu Manuel Firmo em Barcelona, em 29 de Janeiro, ficando sepultado naquela metrópole. Uma queda sofrida em casa, há meses, apressou o triste desenlace. Até ao fim patenteou invejável memória, manifestando já, porém, grandes dificuldades de locução.


Manuel Firmo foi homem de cultura livre, discípulo do ídolo anarquista catalão, fundador da “Escuela Moderna”, Francisco Ferrer, que tantos admiradores teve no Barreiro. O nosso conterrâneo, que procurava ler tudo o que houvesse de melhor na sua época, destacou-se como bibliotecário de agremiações locais, e foi um pilar da LESPA, do Barreiro, a conhecida Sociedade Esperantista, onde chegou a ser professor dessa língua.

Sindicalista dos antigos, do tempo do anarquismo da I República, princípio da II, Manuel Firmo nunca abdicou da sua ideologia de veras liberdades sindicais. No Barreiro foi do grupo “Terra e Liberdade”, que aqui editou o jornal com o mesmo nome entre 1930 e 1931.

Desde logo se posicionou contra os sindicatos corporativos, institucionalizados por Salazar em 1933 e viu-se obrigado a deixar o País “a salto”, no rescaldo do episódio do barco Évora (Maio 1936).

Chegou a Madrid semanas antes da eclosão da sangrenta guerra civil e aí foi secretário da delegação da CGT portuguesa. Passando depois a Barcelona, pertenceu a um batalhão de milícias da CNT/FAI. Ferido por estilhaço de granada, trabalhou depois numa base aérea.


No final da República espanhola (1939), Manuel Firmo e Pepita (que seria a sua companheira de vida) chegaram a pé à fronteira da França (como milhares e milhares de outros fugitivos) onde passaram depois por vários campos de refugiados.

Por temer a transferência para os campos de trabalho forçado na Alemanha nazi, regressou (legalmente) a Portugal. Preso na fronteira da Beirã, em 6 de Agosto de 1941. Foi mais tarde enviado, sem julgamento, para o campo do Tarrafal, em Cabo Verde, em Junho 1942.


De lá regressou após fadário de 3 anos e 7 meses. Ainda residiu por pouco tempo no Barreiro. Rumou depois para Nova Lisboa/Angola, exercendo a antiga profissão de serralheiro ferroviário, depois monitor de segurança. De volta à Europa (1964), radicou-se na Catalunha.

E para os que se interessam pela história do desporto local, há que dizer que Manuel Firmo era desde há anos o decano dos futebolistas barreirenses. Representara, em tempos bem heróicos, o seu querido “Barreirensezinho” (em segundas e terceiras categorias).

Expressamos aqui os nossos mais profundos sentimentos de mágoa a Doña Josefina (Pepita), a esposa adorada que, desde os recuados tempos da Guerra de Espanha, sempre esteve ao lado de Manuel, ou sempre esperou por ele. Também as nossas condolências aos seus familiares que vivem no Barreiro.

Nós, em Barcelona, também registámos lembranças suas, da terra natal e suas gentes. Tinha nascido no Barreiro em 9.9.1909, data que não podíamos esquecer desde que há 6 anos entrámos em contacto com ele. Tencionamos publicar aqui algo bem mais abrangente sobre o currículo ímpar deste barreirense bom, um democrata dos verdadeiros, um autodidacta da velha escola. Vivia já há décadas em Barcelona, mas o Barreiro fica agora mais pobre.

Não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Manuel Firmo, embora tivesse falado com ele várias vezes para Barcelona, durante a preparação de alguns textos seus que, em 2002, tivemos o prazer de publicar no nosso Jornal do Barreiro, a meu convite, e que o deixou muito sensibilizado. Ficam esses artigos a fazer parte da sua bibliografia, e serão incontornáveis, quando, algum dia, a sua obra seja re-editada.


De algumas longas conversas que com ele mantive, fica-me a memória de um democrata indefectível, e de um amante da liberdade sem sombras. Constantemente lhe saiam palavras de amor pelo Barreiro, e recordações do maior interesse para a história da nossa terra, nos seus tempos de juventude, das opressões e das lutas desta gente, que tentava defender a sua dignidade humana.

Deixa-nos para sempre um dos derradeiros tarrafalistas, de que nos legou preciosa memória no seu livro “Nas Trevas da Longa Noite – da Guerra de Espanha ao Campo de Tarrafal”, editado pelas Publicações Europa-América em 1978, e hoje completamente esgotado e a merecer re-edição.

Esta obra ficou como um grande testemunho dessa época e das seguintes, em que ainda teve contacto com a sociedade portuguesa, antes de se fixar definitivamente em Barcelona, junto do amor da sua vida, D. Pepita, que o acompanharia até ao seu último momento.


A sua Esposa e o Barreiro foram as suas grandes paixões.


Ambos ficam de luto, e a ambos dedicamos um período de recolhimento, em meditação pela memória deste infatigável lutador, que, em momento algum, abdicou também do seu profundo amor pela Liberdade, que sempre foi o mais distintivo traço dos Barreirenses.


Miguel de Sousa

Publicado por José Pacheco Pereira em 11:02 PM | Comentários (0)

APRESENTAÇÃO DOS TEXTOS DE JOÃO AZEVEDO DO CARMO

Secção: Biografias / Vidas

jaevcarmo.jpgNo dia 12 de Fevereiro, pelas 17 horas, no Auditório da Biblioteca Municipal será lançado o livro Eu, meus senhores, amo a igualdade, Textos de João Azevedo do Carmo, ilustrados com fotografias de Augusto Cabrita.

O livro, de autoria de um antigo militante comunista do Barreiro, é apresentado por Vanessa Almeida:

"A CMB, no âmbito do projecto Barreiro no Tempo, procede à edição de uma antologia de poemas de João Azevedo do Carmo, à qual foi dado o título de Eu, meus senhores, amo a igualdade, e cuja responsabilidade editorial é das duas filhas do autor, Isabel do Carmo e Maria Fernanda Fráguas. A obra dada à estampa conta ainda com uma série de testemunhos de muitos que privaram com o autor: Augusto Cabrita, Isabel do Carmo, Maria Fernanda Fráguas, Helder Fráguas e Barbara Lopes, sendo ilustrada por fotografias do seu sobrinho, A. Cabrita, um dos principais nomes da fotografia nacional, testemunhos esses que permitem um conhecimento do homem-poeta que foi João Azevedo do Carmo.

Natural do Barreiro, nasceu em 1899, na zona do Barreiro Antigo. Ferroviário de profissão, João Azevedo do Carmo iria colaborar de forma estreita com vários jornais locais, como sejam o «Acção», o «Acção Nacionalista» e o «Eco do Barreiro», onde foram publicados muitos dos poemas presentes nesta antologia, mas também onde o autor iria publicar vários artigos de opinião e críticas de música, teatro e cinema.
Publicista, João Azevedo do Carmo seria também um activo participante na vida associativa do Barreiro, sócio dos «Franceses», «Penicheiros» e ainda do Clube 22 de Novembro, onde actuou muitas vezes, sendo ainda co-fundador do Clube Naval Barreirense. Viria ainda a desempenhar o cargo de secretário na Sociedade Esperantista Operária Barreirense. Em termos políticos, integrou a Comissão Concelhia de apoio à candidatura de Norton de Matos em 1949, assim como as estruturas locais do MUD. Após o 25 de Abril iria poder assumir em liberdade a sua condição de militante do PCP. Como refere a sua filha, Maria Fernanda Fráguas, «Atravessou os longos tempos da injustiça, da mediocridade ousando, coerentemente, nunca renunciar aos seus ideais, lutando por eles com a maior dignidade e as suas inultrapassáveis delicadeza e elegância.
A sua vida foi longa e nunca se demitiu da intervenção social, do seu desejo de ajudar os outros.»
A delicadeza e elegância que todos os testemunhos sublinham serão também a nota dominante da poesia de João Azevedo do Carmo.
O leitor é convidado a conhecer a sua obra poética através de pequenos intróitos da autoria de Isabel do Carmo, que contextualiza a obra do autor no Portugal e no Barreiro do tempo, de 1918 a 1985. Dá a conhecer a época mas também o espírito. E o leitor é levado a comprová-lo através da poesia daquele que se viria a definir a si próprio como “operário das letras”. Embora se denote uma evolução em termos formais (patente, também, através das “actualizações” levadas a cabo pelo autor sobretudo durante as décadas de 70/80), onde o lirismo da década de 20 e o que Bárbara Lopes definiu como “influências livrescas”, tende a dar lugar a uma escrita mais empenhada, distante dos denaveios de jovem poeta, situação que se verifica sobretudo após o 25 de Abril. Ainda assim, não podemos deixar de assinalar a continuidade de alguns temas, os quais, em última instância, traduzem os valores pelos quais João Azevedo do Carmo guiou toda a sua vida: o amor, a amizade, o respeito pelo próximo, a liberdade, temas que têm quase sempre como pano de fundo o Barreiro.
Com a publicação desta antologia faz-se assim a justa homenagem a quem sempre lutou pelo Barreiro e pelos interesses dos barreirenses, como aconteceu por exemplo em 1929, ao defender a necessidade de uma escola industrial. Ou em 1940, pela criação de uma Biblioteca-Museu. Trata-se assim de recuperar a memória de um homem que, e tal como escreve Isabel do Carmo, «foi uma figura de grande honestidade intelectual e cívica, que amou o Barreiro e à terra deu o que pôde, que era muito».

(Vanessa Almeida)

Publicado por José Pacheco Pereira em 12:32 AM | Comentários (0)