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Índice
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Extrema-esquerda - História: 10 textos
Fontes: 7 textos
Iconografia: 12 textos
Movimento comunista internacional: 11 textos
Notas: 5 textos
Notas de investigação: 1 textos
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Recensões críticas: 3 textos
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Revista Estudos sobre o Comunismo: 3 textos
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* NOTÍCIAS E MATERIAIS ASSOCIADOS AO CENTENÁRIO DE RUY LUÍS GOMES
* ACTIVIDADES DA OPOSIÇÃO DURANTE A CAMPANHA ELEITORAL DE NOVEMBRO 1957
* ÁLVARO CUNHAL - BIOGRAFIA POLÍTICA
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* SELO COMEMORATIVO DE ÁLVARO CUNHAL
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III VOLUME SOBRE OS ANOS DA PRISÃO (1949-1960)
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julho 04, 2005
"PASSEIOS ALVES REDOL" EM VILA FRANCA DE XIRA

(Fotografia inédita do arquivo JPP)
Um relato desta viagem que contou com a presença de Dias Lourenço foi feito no jornal Mirante, de 22/6/2005:
Vila Franca recriou “Passeios de Alves Redol”- Quando a luta política era planeada no barco
O regresso ao Tejo a bordo do barco varino Liberdade tem um significado muito profundo para António Dias Lourenço. O comunista, que foi um dos melhores amigos de Álvaro Cunhal com quem combateu o fascismo, tem 93 anos, e foi um dos cerca de 40 convidados para o passeio de Redol no sábado. A iniciativa, organizada pela Cooperativa Alves Redol e pela Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, pretende recriar os passeios organizados pelo escritor e divulgar as potencialidades existentes e a oportunidade do turismo cultural.
Os convívios juntavam um grupo de intelectuais que preparavam a luta contra a ditadura e traçavam os caminhos da Liberdade. Soeiro Pereira Gomes escreveu que no Verão de 1941, Alves Redol o convidou para um passeio no Tejo com vários escritores e a bordo de um barco. Curiosamente a embarcação também se chamava Liberdade. “Tinha uma bandeira a dizer Liberdade e a palavra também aparecia escrita na madeira”, recorda António Redol, filho do autor de Avieiros e Gaibéus.
Segundo os relatos e as fotos obtidas pelos amigos de Redol, estiveram nestes passeios vários colaboradores do Jornal “O Diabo” que tinha sido encerrado pela polícia política (PIDE) meses antes. Bento de Jesus Caraça, Manuel da Fonseca, Sidónio Muralha e outras figuras das letras e das ciências também se juntavam no Liberdade para conversar à vontade e longe dos olhares da PIDE. “Sou o único vivo dos que vieram aos primeiros passeios. Já morreram todos. O último foi o meu camarada Álvaro Cunhal”, diz Dias Lourenço
“Hoje sou o último dos prisioneiros políticos com mais anos de cadeia”, acrescenta orgulhoso. Dias Lourenço, é uma figura de sempre do partido comunista e ficou associado à famosa fuga de Álvaro Cunhal e um conjunto de presos políticos do Forte de Peniche.
Dos passeios no barco Liberdade lembra os textos lidos a bordo, os petiscos, os copos bebidos e o trabalho desenvolvido na luta por um país melhor. “Procuramos formas de combater a ofensiva fascista que tentava esmagar o povo português”, refere. António de Oliveira Salazar tomou o leme do Estado em 1932 e silenciou os partidos políticos. Todo o trabalho partidário passou a ser feito na clandestinidade e muitas vezes na prisão. Foi um desafio permanente às garras da PIDE. “Aqui tínhamos alguma segurança de que não havia um PIDE por perto”, explica Dias Lourenço.
O velho comunista tem uma vontade enorme de falar e de deixar aos que o sucedem testemunhos de uma vida. Dias Lourenço lembra com saudade o dia em que com Miguel Torga e Alves Redol atravessou a fronteira num pequeno barco e foi até aos arredores de Madrid. Decorria a Guerra Civil Espanhola e os três homens subitamente começaram a cantar a Internacional. “Carago nunca pensei cantar a Internacional em voz alta”, disse Miguel Torga. “Esqueceu-se que estávamos em Espanha”, acrescenta Dias Lourenço.
O passeio de barco entre o cais de Vila Franca de Xira e a Vala do Carregado é acompanhado por um vinho licoroso da Companhia das Lezírias e é aproveitado para colocar a conversa em dia. A bordo vai o matador de toiros Mário Coelho, a viúva do embaixador e escritor Álvaro Guerra, professores de português e quase quatro dezenas de admiradores da escrita de Redol. Faz-se silêncio cada vez que Ana Sofia, uma jovem envergando uma boina negra semelhante à de Redol, dá voz a pequenos textos do autor.
“Começavam a assar as sardinhas, das bem salpicadas como gostavam...o Zé Romualdo na paródia até disse:da cabeça ao rabo é tudo peixe”, lê-se em “Muro Branco” de Alves Redol. E para o programa ser completo o almoço no parque de merendas da Vala do Carregado também foi sardinhas, pimentos e bom vinho tinto.
A viagem é para repetir. A Cooperativa Alves Redol e a junta de freguesia querem alargar esta parceria. Uma pastelaria de Vila Franca de Xira está a produzir os sonhos, um doce que deverá ter um nome associado a Redol e ser comercializado com a marca registada e numa embalagem acompanhada de um texto de Redol.
Nelson Silva Lopes
Publicado por José Pacheco Pereira em julho 4, 2005 09:18 AM | TrackBack