Secção: Extrema-esquerda - História

abril 07, 2004

UMA REVISTA DE CONTRA-CULTURA: A MEMÓRIA DO ELEFANTE (Porto, 1971)

Transcrevo, com vénia, do Almocreve das Petas, esta nota sobre a Memória do Elefante, revista publicada no Porto em 1971 e ligada ao movimento de contra-cultural existente no Porto nos anos setenta e à extrema-esquerda. Este movimento acentuava uma politização estética associada à radicalização política, e tentava escapar da hegemonia neo-realista da oposição. Jorge Lima Barreto teve um papel importante neste processo no Porto.

A Memória do Elefante [Porto, nº 1, 1971- nº 13, 1974 (?)]

Jornal de Música Popular, Jazz, Rádio, com origem na cidade do Porto, saiu ente 1971 e 1974, com direcção de Joaquim Lobo, Editor Jorge de Morais, Relações Públicas João Afonso Almeida, Supervisão de Pedro Nunes, colaboração de António José Fonseca, Mário Gonçalves, Octávio da Fonseca e Silva, Jorge Lima Barreto, Pedro Proença, António Barredo Oliveira, Renato Silva, ...

"A Memória do Elefante tem sido e continua a ser por enquanto, um trabalho quase só de amadores não remunerados cuja acção procura concretizar um ideal de crítica. Estamos alheios aos jogos de interesses que orientam, subrepticiamente ou não, muitos representantes da nossa informação profissional (orgulhosamente). Os nossos redactores não têm obrigação de, como último recurso de incapacidade, encher umas quantas folhas de papel com as futilidades mais incríveis da vida mundana de personalidades pseudo-importantes do nosso putrefacto meio artístico, precisamente as personalidades «progressistas» (ah! ah!) que conduzem à recuperação da contra-cultura. A Memória do Elefante não é de, nem para escatófagos (...)" [A Memória do Elefante, nº 11, Janeiro de 1974]

"... A música urbana, na noção ideal, está ligada à vanguarda e à revolução sob todas as formas. Neste sentido pode dizer-se que em Portugal não há música urbana. Está, por aqui, num estado embrionário, simplista e pseudo-artístico. Abortadas que resultaram as experiências bem desenvolvidas mas inacabadas da Filarmónica Fraude e Quarteto 1111, não há para já perspectiva de uma música nova ..." [Octávio Fonseca e Silva, in José Afonso, ibidem]

"Este artigo é uma pequena e despretenciosa homenagem a Guy Debord e à I. S. Funda-se numa aplicação das teses reais do livro «A Sociedade do Espectáculo» e numa relação afectiva que a carta recentemente recebida dum fugitivo em França, Pedro Jofre, reavivou decisivamente ..." [Jorge Lima Barreto, in Jazz In Situ, ME nº 10, Agosto 1973]

Publicado por José Pacheco Pereira em 11:18 AM | Comentários (0)

O JORNAL COMÉRCIO DO FUNCHAL

Transcrevo, com vénia, do Almocreve das Petas, esta nota sobre o Comércio do Funchal, um importante jornal da oposição nos últimos anos do regime ditatorial, ligado a círculos da extrema-esquerda.

Comércio do Funchal [nº 1, Janeiro (?) de 1967]

"... um pequeno grupo de pessoas agarrou, na Madeira, a possibilidade inesperada de fazer um jornal, só porque fazer um jornal é uma oportunidade que não se deixa perder. Apenas isso. Eis o primeiro acidente: não havia um grupo formado que experimentasse a necessidade de se exprimir jornalísticamente para dar voz a uma posição, a um conjunto de ideias, a um projecto, a uma maneira própria, pensada definida de entender e interpretar a realidade. O que havia eram pessoas ligadas por laços de amizade, de companheirismo, de típicas aventuras jornalísticas de adolescência, mas com uma carência extraordinária de politização, para além de certas «opções» muito idealistas, primárias, ingénuas. (...) Connosco, deu-se precisamente o inverso: só depois de termos um jornal começámos a perguntar para que servia ele ..." [Vicente Jorge Silva, in CF em Mesa Redonda, & etc, nº 3, 14/02/1973]

"... Em determinada altura o Artur Andrade [Artur Pestana Andrade] veio do Casino e, ao chegar à agência [a Foco, de VJS, A.P.A., Victor Rosado, Santa-Clara, Angélica ...] diz-nos que o proprietário do «Comércio», jornal que já existia, com uma tiragem reduzidíssima, estava interessado em passar a sua efectiva direcção e administração e Artur achou a ideia interessantíssima e viu que era uma oportunidade excelente de podermos dar continuidade a toda uma movimentação de esforços de que as páginas, os encontros, os filmes, eram exemplo. Ficamos contentíssimos. O Vicente Jorge Silva, que foi sempre o impulsionador de quase todas as iniciativas, pulava de alegria" [Victor Rosado, ibidem]

"... &etc- Há uma frase de Mário Sacramento, que vocês até utilizam na publicidade: «Comércio do Funchal: extraordinário e quase miraculoso». Pergunto: como é possível que um jornal feito por rapazinhos entre os 17 e os 22 anos, se aguentasse tão bem?
LA [Luís Angélica] - Na minha opinião, para além de todas as possíveis divergências, as pessoas estavam unidas por laços de amizade muito profundos. Não se perdiam em discussões de capelinha, em questiúnculas comezinhas e medíocres ...] [ibidem]

"... LG [Leopoldo Gonçalves] – Aqui em Lisboa houve de facto um trabalho de grupos universitários da Madeira, no tocante à distribuição e divulgação do jornal. No campo da colaboração, esse trabalho era muito variado (...)
& etc- Ainda dentro desse campo parece-me que o CF. Mercê talvez desses colaboradores de Lisboa, e dos trabalhos que enviavam, se aproximou de certas posições que então começava a assumir «O Tempo e o Modo». Assistimos como que a um processo de radicalização do CF..." [in CF em Mesa Redonda, & etc, nº 4, 28/02/1973]

Alguns jornalistas & Colaboradores do CF – João Carlos da Veiga Pestana, Vicente Jorge Silva, José Manuel Barroso, Artur Pestana Andrade, Ricardo França Jardim, Luís Manuel Angélica, Victor Rosado, José Manuel Coelho, Leopoldo Gonçalves, José António Mendonça e Freitas, Fernando Dacosta, Liberato, Mário Vieira de Carvalho, António dos Santos, António Sampaio, José Maria Amadora, Mário Coelho, L. H. Afonso Manta, Carlos Marinheiro, Raul Maurício, José Freire Antunes, António José Fonseca, José Duarte, Matilde Rosa Araújo, José António Saraiva, José Agostinho Baptista ...

Publicado por José Pacheco Pereira em 11:09 AM | Comentários (0)

março 28, 2004

CÉLULA COMUNA DE PARIS (1971)

Pequeno grupo político maoísta existente no Porto em 1971. Era constituído por Joâo Barros (engenheiro), José Oliveira (estudante de Arquitectura), José Pacheco Pereira (estudante de Filosofia) e José Teixeira Gomes (estudante de Medicina). O nome do grupo tem a ver com o centésimo aniversário da Comuna de Paris, ocorrido em 1971. Embora nunca tenha realizado actividades políticas em seu próprio nome, controlava um grupo de activistas estudantis na Faculdade de Medicina que iniciou a publicação em 1971 do jornal Crítica . Este jornal e o grupo estudantil que se veio a constituir à sua volta estiveram na origem de uma tendência associativa ("Por um ensino ao serviço do povo") que representava a face legal da UEC(m-l).

A Célula Comuna de Paris surgiu no processo de organização clandestina crescente nos meios estudantis do Porto em 1970-1, que deu igualmente origem a O Grito do Povo . Por isso desde o início as suas actividades confundiram se, embora mais tarde os dois grupos se separassem. As principais divergências entre os dois grupos tinham a ver com a apreciação do papel do movimento associativo , defendendo a Célula Comuna de Paris a participação nas associações de estudantes, que O Grito do Povo considerava "reformista".

A Célula Comuna de Paris dissolveu se em finais de 1971, tendo dois dos seus membros ( José Oliveira e José Teixeira Gomes ) integrado O Grito do Povo e José Pacheco Pereira o PCP(m-l)

Fontes/Bibliografia :

Para um Movimento Estudantil e Sindical de Massas, (síntese das discussôes), manuscrito inédito

O Trabalho no Sector Estudantil , manuscrito inédito

Autocrítica de Z e W , (documento de demissâo de J. Oliveira e J. Teixeira Gomes ), manuscrito inédito

A Questâo das Divergências (Documento de trabalho nº 1),s.l. (Porto), s.d. (1971) (autoria de José Pacheco Pereira)


Publicado por José Pacheco Pereira em 05:31 PM | Comentários (3)

dezembro 20, 2003

ANIVERSÁRIO DA FUNDAÇÃO DA LCI

Comemorando o aniversário da LCI, o mais importante grupo trotsquista criado no ciclo de organizações de extrema-esquerda da segunda metade dos anos setenta, o Público organizou um dossier que inclui comentários, cronologia e uma breve síntese histórica:

Maria José Oliveira, "LCI, a Vontade Revolucionária Trinta Anos Antes do Bloco de Esquerda ", Público, 20/12/2003

A referência será incluída na bibliografia.


Publicado por José Pacheco Pereira em 11:19 AM | Comentários (3)

agosto 09, 2003

ORIGENS DE UMA CONTRA CULTURA – O CICLO “POPOLOGIA” REALIZAÇÃO “AUTÓNOMA” DE COLABORADORES DA SECÇÃO CULTURAL DA AAFDL (1968)

O ciclo de sessões "Popologia - mitologias do mundo contemporâneo", realizado em Março de 1968, foi o primeiro a abrir as actividades culturais associativas às formas, meios e realizações da contra cultura dos anos 60 e à nova estética da cultura pop. O mundo cultural que trazia aos estudantes associativos e a um público juvenil politizado, era predominantemente anglo-saxónico e associado a novas expressões da cultura juvenil como a música pop, a banda desenhada, e o cinema de vangarda. Este ciclo ocorreu antes do Maio de 1968, e revela o papel da recusa das referências culturais neo-realistas, dominantes na oposição onde o PCP era hegemónico no plano cultural, na formação da geração esquerdista dos anos setenta. A radicalização estética precede a radicalização política, mas ambas fazem parte de um mesmo movimento cultural.

Realizada por um grupo de colaboradores da Secção Cultural da AAFDL tratava-se de uma realização "paralela", "autónoma" (termos em que é descrita na AAFDL, Relatório e Contas da Gerência de 1967-1968, Novembro de 1968) e teve que ser feita fora das instalações associativas na SNBA. Entre os seus animadores contava-se Manuel Castilho, e Alexandre de Oliveira, já falecido, e um grupo de colaboradores associativos que, desde 1967, se opunham à orientação dominante na Secção Cultural.

A realização "oficial" da Secção Cultural era um ciclo de debates intitulado "Coordenadas da Arte nos nossos dias", coincidentes para o mesmo mês de Março, com os temas e pessoas habituais do neo-realismo dominante: Mário Sacramento, Lima de Freitas e Machado da Luz discutiam "Arte interferente e arte intemporal", P. Viana de Almeida, Alberto Ferreira e J. Augusto França, "arte divorciada do público e arte para o povo", Fiama Hasse, Augusto Costa Dias e Ernesto de Sousa, "arte popular", Urbano Tavares Rodrigues e Óscar Lopes "o conflito entre o realismo crítico e a arte decadente.", etc. (Coordenadas da Arte nos Nossos Dias, Ciclo de Conferências promovido pela Secção Cultural da AAFDL, 1968). Era difícil ser mais ortodoxamente neo-realista, ou seja, estar mais dependente da visão estética do PCP.

O ciclo "Popologia" introduzia temas até então ignorados na cultura associativa: movimentos juvenis, "beatnicks", "provos" e "hippies", música pop (audição de discos dos Beatles, Bob Dylan, Simon and Garfunkel, Kinks, Manfred Mann, Cat Stevens, etc.) banda desenhada, Andy Warhool, cinema "pop" (que incluia os filmes dos Beatles, A Hards Day Night, Modesty Blase de Losey, Superargo contra Diabolick de Nick Norton, e um filme de Tarzan com Weissmuller).

As pessoas que falavam também não eram as habituais: havia homens da rádio (João Manuel Alexandre do "Em Órbita"), do Jazz (José Duarte, Manuel Jorge Veloso), da música de vanguarda (Jorge Peixinho), cineastas e críticos de cinema como Jorge Silva Melo, António Pedro Vasconcelos, Luis Galvão Teles.
Alguns neo-realistas convidados aceitaram para atacar a realização, como Pedro Nunes de Almeida que no sumário da sua intervenção dizia que: "A intervenção pop não convém à arquitectura - A arquitectura não é passível de um consumo obsolescente que caracteriza o pop".

O ciclo teve um grande sucesso de participação.

(Popologia. Mitologias do Mundo Contemporâneo, Ciclo de Sessões organizado pela AAFDL na Sociedade Nacional de Belas-Artes, 1968).

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Bibliografia:

AAFDL , Relatório e Contas ........
Popologia......
Coordenadas...
Quinzena Pop, Cinema Europa, 1968.
Popologia nº 9

Publicado por José Pacheco Pereira em 03:30 PM | Comentários (0)

junho 14, 2003

A ARMA DA CRÍTICA

Revista publicada em Alger por Manuel Sertório cujo primeiro (e único?) número saiu em Setembro de 1968. Com o lema de "diálogo para a insurreição anti fascista" e para "a revolução socialista", a revista continha colaboração de Manuel Sertório e de Manuel Alegre.
A orientação da revista era eclética, incluindo citações de Lenine , Cunhal e Garaudy e pretendia combater a "extraordinária escassez de uma produção cultural politicamente válida" e de "teoria política" existente na oposição.
Neste número incluem-se duas cartas dirigidas aos embaixadores da Checoslováquia e da URSS em Argel por Manuel Sertório na qualidade de "marxista revolucionário" contra a invasão da Checoslováquia.


Bibliografia:

A Arma da Crítica , Nº 1, Setembro 1968
(exemplar com correcções e notas manuscritas de Manuel Sertório no Arquivo JPP)

Publicado por José Pacheco Pereira em 06:44 PM | Comentários (0)

ACÇÃO REVOLUCIONÁRIA COMUNISTA – ARCO

Organização efémera existente no Porto durante alguns meses de 1971. Na sua fundação tiveram influência as concepções sobre luta armada de Marighela e outros teóricos da guerrilha urbana. Fizeram parte da ARCO José Fernando Soares Moura (estudante universitário) seu verdadeiro impulsionador, Serafim da Fonseca (técnico de tecelagem), Francisco de Abreu Soares (empregado de armazém), José Alberto Alves Rocha Paiva (sem profissão), Carlos Oliveira Magalhães Bastos (servente) e Maria Helena Cunha (estudante de Filosofia). Durante a sua curta vida a ARCO praticamente não desenvolveu qualquer actividade, com excepção de um panfleto intitulado Guerra do Povo! distribuído no 1º de Maio de 1971.
A ARCO foi totalmente desmantelada pela polícia em Maio de 1971, que prendeu quase todos os seus membros e assaltou a casa clandestina mantida pela organização em Espinho. Com o julgamento e a prisâo de cinco membros (com penas entre quatro e vinte e dois meses) a ARCO desapareceu.

Fontes / Bibliografia :

- Guerra do Povo! , s.l. (Porto), s.d. (1971)

- Diário de Lisboa , 26/11/1971

Publicado por José Pacheco Pereira em 04:49 PM | Comentários (0)

junho 07, 2003

ALGUNS TEXTOS DOS "CURSOS LIVRES" NO ISCEF

Os “cursos livres” foram um momento decisivo de renovação do movimento estudantil no início da década de 1970 . Tratava-se de iniciativas ou das Associações de Estudantes , neste caso da AEISCEF , ou de grupos de estudantes com forte motivação política que pretendiam combater a hegemonia tradicional do PCP nos meios estudantis . Publicando textos e documentos sobre questões de actualidade , traduzidos de publicações marxistas estrangeiras , forneceram a muitos estudantes um acesso actualizado aos debates políticos que se realizavam fora de Portugal e de que a censura impedia o conhecimento .
Por outro lado , ao confrontarem os professores com “cursos” alternativos , aceleravam a radicalização política dos estudantes , acentuando as deficiências de formação pedagógica ou a denúncia dos compromissos políticos do corpo docente . Este objectivo encontra-se definido desde o início no “curso lvre” para a cadeira de TE – II :

"Não se trata de substituir "fisicamente" o prof. Labisa e Matioli por professores tecnicamente mais competentes, pedagogicamente mais "sabidos", mais ou menos autoritários; trata-se e É AÍ QUE RESIDE TODA A IMPORTÂNCIA do Curso Livre, de lançar embriões de discussão de base, onde, e através dos quais as pessoas sintam a "sua" alternativa, possibilitando aos grupos de trabalho experimentarem forças perante a investigação crítica dos fenómenos sociais, doseando intervenções no curso por parte dos grupos que mais afincadamente tenham estudado certos pontos da matéria, tornando desta maneira o curso livre uma experiência verdadeiramente colectiva e empreendedora" ("Uma explicação", Curso Livre do TE - Texto de Apoio nº1)


BIBLIOGRAFIA

Faltam algumas referências na bibliografia , identificadas pela numeração , que é no entanto bastante caótica e pouco fiável .


Texto de Apoio Nº1 . Curso Livre de TE II s.l. (Lisboa) s.d.

Texto de Apoio Nº2 . Curso Livre de TE II s.l. (Lisboa) s.d.

Texto de Apoio Nº3 . Curso Livre de TE II s.l. (Lisboa) s.d.

Texto de Apoio Nº5 . Curso Livre de TE II. As Crises São ou Não Inerentes ao Modo de Produção Capitalista ? s.l. (Lisboa) s.d.

Texto de Apoio Nº6 . Curso Livre de TE II. Maurice Dobb "Capitalismo Ontem e Hoje . Cap. V Crises Económicas s.l. (Lisboa) s.d.

Texto de Apoio Nº7 . John Eaton , "Marx Contra Keynes "(Excertos) Continuação do Texto de Apoio nº 3 .Curso Livre de TE II s.l. (Lisboa) s.d.

Texto de Apoio Nº8 . Curso Livre de TE II s.l. (Lisboa) s.d.

Texto de Apoio Nº9 . Curso Livre de TE II s.l. (Lisboa) s.d.

Textos de Apoio . Porquê a Intervenção Policial ? Caderno 1 . A Importância Actual da Africa Negra. Apoio ao Ponto 1.1 A Questão da Africa Austral s.l. s.d. (1972)

Textos de Apoio . Porquê a Intervenção Policial ? Caderno 2 : Interesses Ligados aos Territórios Africanos (Ponto1.1.A Questão da Africa Austral) s.l. s.d. (1972)

Textos de Apoio . Porquê a Intervenção Policial ? Caderno 3 . Os Custos da Guerra . Apoio ao Ponto 1.1.: A Questão da Africa Austral s.l. s.d. (1972)

Textos de Apoio . Porquê a Intervenção Policial ? Caderno 4 . A Redestribuição das Cartas ... Apoio ao Ponto 1.1. A Questão da Africa Austral s.l. s.d. (1972)

Apoio ao Ponto 2 . Reforma e Repressão. Porquê a Intervenção Policial. Caderno 5. 1.Os Aparelhos Ideológicos de Estado 2. Aparelhos Escolares e Luta d s.l. s.d. (1972)

Textos de Apoio . Porquê a Intervenção Policial ? Caderno 8 . O Estado , o Trabalho eos Sindicatos . Apoio ao Ponto 2.4 s.l. s.d. (1972)

Textos de Apoio . Porquê a Intervenção Policial ? Caderno 9 . O Significado da "Liberalização Sindical" Os Seus Limites Um Caso Concreto:o Caso dos Me s.l. s.d. (1972)

Afrique Libre . Tradução Resumida de Algumas Intervenções s.l. s.d. (1972?3?)

Texto de Apoio Nº1 . Para Conhecimento de Angola e Brasil s.l. s.d. (1972?3?)

Publicado por José Pacheco Pereira em 11:02 PM | Comentários (1)

COMBATE OPERÁRIO

Grupo de trotsquistas portugueses exilados em França que incluía J. Cândido de Azevedo , Ferreira Fernandes , Fernando Baptista . Teriam tido origem numa cisão da organização da FPLN em Paris .
Organizam-se na Ligue Communiste a partir de 1972 (?) . Aí colaboram na edição e tradução de panfletos da Ligue para português e , a partir de finais de 1972 , iniciam uma actividade autónoma entrando em contacto com a FPLN (com Manuel Sertório) e com o grupo em Portugal que vai estar na origem da LCI. Em Abril de 1973 , iniciam a publicação de Combate Operário , editado como suplemento de Rouge , com uma tiragem de 500 exemplares .
Os contactos com o interior sâo irregulares, mas mantem-se sempre uma colaboração política com a LCI (através de Louça e Cabral Fernandes) , com publicação mútua de textos nos jornais do interior e no Combate Operário .
Em colaboração com as estruturas do Secretariado Unificado da IV Internacional (em particular com a Comissão Africa e a Comissão Portugal) participam nas actividades anticoloniais e na edição de boletins para os trabalhadores emigrantes ( Citroen Vermelho / Citroen Rouge ). Os trotsquistas portugueses participam activamente no processo de manifestações a pretexto das leis sobre a emigração que conduziria à interdição da LC e sua transformação em FCR. Nas vésperas do 25 de Abril , o S.U. da IV Internacional salienta a importância do trabalho com a emigração portuguesa, em particular com os refractários e desertores e destaca para o apoiar A. Duret e Stern.
Depois do 25 de Abril fundiu-se com a LCI.


FONTES / BIBLIOGRAFIA

- depoimento de J. Cândido Azevedo
- correspondência de Manuel Sertório


PANFLETOS

- The Bureau of the United Secretariat, From : Bureau of the United Secretariat; To : Comrades responsable for the work toward the portuguese immigration ; Concerns : The situation of the work towards the portuguese immigration , Brussels , 11 de Abril 1974

Trotsky, O Socialismo Num Só País ?, s.l. (Paris ?), Textos Combate Operário , s.d.

- Combate Operário / Ligue Communiste , Meaux Trabalhadores Lutam e Vencem ,s.l., s.d. (1972?)

- Combate Operário , Por um 1º de Maio de Luta , s.l., s.d.,

- Combate Operário , Viva a Luta dos Trabalhadores Portugueses / Vive la Lutte des Travailleurs au Portugal , s.l. (Paris), s.d. (1974)

- Combate Operário / Ligue Communiste Internacionaliste, Trabalhadores, s.l. (Paris), s.d. (1974)

- Combate Operário , Nem Caetano nem Spínola . O Poder aos Trabalhadores / Ni Caetano Ni Spinola . Le Pouvoir aux Travailleurs , s.l. , s.d. (1974)

- Combate Operário / Front Communiste Revolutionnaire , Os Revolucionários Face à Situação Política em Portugal / Les Revolutionnaires Face à la Situation Politique au Portugal , s.l. , s.d. (Junho 1974)

- Combate Operário / Front Communiste Revolutionnaire , Onde Vai Portugal , s.l. (Paris), Junho 1974

"Combate Operário" /Ligue Communiste (Secção francesa da IV Internacional), Pelos Nossos Direitos Sindicais e Políticos. Contra os Acordos da Emigraçâo. Contra a Circular Fontanet. Trabalhadores Uni vos ! , Paris, Supplement à Rouge, s.d. (1972)

- Combate Operário , Por um lº de Maio de Luta , s.l.(Paris) , s.d.

- Combate Operário , Nem Caetano, Nem Spinola. O Poder aos Trabalhadores./ Ni Caetano, Ni Spinola. Le Pouvoir aux Travailleurs ,s.l. (Paris), s.d.(1974

- Combate Operário , Viva a Luta dos Trabalhadores Portugueses / Vive la lutte des travailleurs portugais ,s.l. (Paris) , s.d. (1974)

- (Combate Operário), O Programa do PCP á Luz do Marxismo Revolucionário , s.l. (Paris), Combate Operário nº 4 , Janeiro de 1973

- (Combate Operário), Os Herdeiros de Staline ; A Propósito de um Artigo de "O Comunista" sobre Trotsky ,s.l. (Paris) ,Textos Combate Operário nº 1 , 3 de Agosto de 1972

- (Combate Operário), Socialismo num Só País ou Internacionalismo Proletário ? , s.l. (Paris),Textos Combate Operário nº 2 ,s.d.

- Combate Operário / Front Communiste Revolutionnaire, Os Revolucionários Face à Situação Política em Portugal/ Les Revolutionnaires Français ... ,s.l. , , s.d. (Junho 1974)

- (Combate Operário / Front Communiste Revolutionnaire), Onde vai Portugal, s.l., , Junho 1974

- Combate Operário / Liga Comunista Internacionalista, Trabalhadores, s.l. (Paris), s.d. (1974)

- Combate Operário / Ligue Communiste , Meaux Trabalhadores Lutam e Vencem , s.l. (Paris) , s.d. (1972 ?)

- "Combate Operário" /Ligue Communiste (Secção francesa da IV Internacional), Pelos Nossos Direitos Sindicais e Políticos. Contra os Acordos da Emigração. Con ..., Paris, Supplement à Rouge, s.d. (1972)

- Liga Comunista Internacionalista,Teses e Resoluções Aprovadas pela Conferência dos Marxistas Revolucionários Portugueses , Paris , Supplément à la Revue Quatriéme Internationale, (1973) - editado em França pelo Combate Operário


JORNAIS

- Combate Operário, 1, Abril 1973; 2, Setembro 1973 ; 3,Fevereiro 1974; // ; 4, 1/5/1974 ; 5, 1/6/1974 ; 6, Novembro 1974; 7, Março 1975

- Citroen Rouge / Citroen Vermelho , Junho 1973

Publicado por José Pacheco Pereira em 07:54 PM | Comentários (0)

GRUPO DE ESTUDOS MARXISTAS LENINISTAS MAOISTAS (GEMLM)

Grupo de estudantes (predominantemente liceais) e empregados maoistas existente no Porto e em V. N. Gaia desde fins de 1972. Fundado por iniciativa de Jorge Gonçalves e Jorge Lage pretendia ser uma resposta a um sector "praticista" do movimento associativo dos liceus do Porto (ligado a Jaime Reininho). Fizeram parte do GEMLM cerca de 13 elementos quase todos activos no movimento associativo (entre outros Mário Dias, Carlos "engenheiro" (empregado do Café Embaixador), Rui Guimarães, Rui Lage, Vitor Maia, Otília Pereira, Alvaro? (de Leça), Carmo ?, António César Sá e Berta Spínola), que se reuniam periodicamente para realizar discussões políticas e editar panfletos. Berta Spínola viria a ser mais tarde afastada do grupo. Tratava-se de um grupo que nâo tinha laços orgânicos estruturados, voltado para o desenvolvimento individual dos seus membros. Tinha no entanto um "núcleo coordenador" constituído por Mário Dias, Jorge Lage e Otília.

O GEMLM existiu desde meados de 1973 até ao período imediatamente posterior ao 25 de Abril. Realizavam um programa de leituras interno que incluiu entre outros o livro de Maria Antonieta Machiochi, De la Chine. Embora um dos objectivos do grupo fosse ler e estudar a imprensa marxista-leninista, em particular das organizaçôes entâo existentes, mantendo a sua independência orgânica, a influência política dominante era do PCP(M-L) e os seus estatutos internos eram adaptados desse partido. Em consequência quando da divisâo do PCP(M-L) em duas organizações rivais em vésperas do 25 de Abril, os membros do GEMLM dividiram-se também entre si.
O GEMLM publicou um jornal com tiragem de 50 exemplares, Camarada, e vários documentos internas e targetas com tiragens que oscilavam entre 15 e 100 exemplares .

Fontes / Bibliografia:

- Depoimento de Mário Dias

- Caderno manuscrito com resumos de reuniôes do GEMLM , 1973 (Arquivo pessoal de JPP)

- Màrio Dias, Carta de demissâo do GEMLM , 1974 (Arquivo pessoal de JPP)

- Documentos internos do GEMLM (Arquivo pessoal de JPP)

- Camarada,
"Marx - Engels - Lenine - Mao Tsé-tung"
Nº 1, s.d. (1973 ?)

- Anexo: panfletos


(GEMLM), De Novo Acerca do Liberalismo em Geral e no Nosso Trabalho . Texto Interno Para Estudo, s.l., s.d. (1973)

(GEMLM), Acerca do Liberalismo e da Crítica. Autocrítica em Geral e no Nosso Trabalho, s.l. , s.d. (1973)

(GEMLM), Cada Vez Mais a Sua Face, s.l. s.d. (1973)

(GEMLM), Autocrítica, s.l. s.d. (1973)

(GEMLM), Viva a Independência da República da Guiné Bissau, s.l. s.d. (1973)

(GEMLM), Texto Interno, s.l., s.d. (1973)

Publicado por José Pacheco Pereira em 07:50 PM | Comentários (0)